As falésias da Praia do Evaristo, em Albufeira, guardam marcas de períodos em que o nível do mar se encontrava a alturas diferentes das atuais. Esses vestígios podem ser observados nas próprias faces rochosas, onde antigas formas de erosão ajudam a contar uma história que recua a diferentes fases do Plistocénico.
Segundo o portal Algarvensis Geoparque, as arribas apresentam entalhes produzidos pela ação das ondas a várias alturas, bem como plataformas de abrasão marinha. Estas formas são interpretadas como indicadores das alterações do nível do mar ocorridas durante o Plistocénico e associadas aos ciclos glaciares dessa época.
Ondas antigas deixaram marcas nas falésias
Os chamados entalhes, ou sapas, formam-se pela ação repetida do mar sobre a base ou as faces das arribas. Quando aparecem hoje a alturas diferentes, ajudam a reconhecer posições ocupadas pelo nível do mar em períodos anteriores.
A mesma fonte relaciona estas marcas com as oscilações ocorridas durante os ciclos glaciares. Ao longo desses períodos, o nível dos oceanos variou, deixando sinais físicos nas rochas que ainda permanecem visíveis na Praia do Evaristo.
Rochas guardam fósseis com milhões de anos
As arribas são constituídas por calcários da chamada Formação Lagos-Portimão, originados num ambiente marinho pouco profundo. Estas rochas são particularmente ricas em fósseis do Miocénico, período compreendido aproximadamente entre 23 e 5,3 milhões de anos.
Entre os vestígios identificados encontram-se moluscos, equinodermes, grupo ao qual pertencem os ouriços-do-mar, e briozoários, pequenos organismos marinhos que normalmente vivem em colónias. Existem igualmente rodólitos, nódulos calcários formados por algas vermelhas.
Água também esculpiu as rochas
Outra característica da praia é a presença de formas associadas à dissolução dos calcários pela água. Este processo dá origem à chamada morfologia cársica e pode criar depressões e outras irregularidades nas superfícies rochosas.
Segundo a mesma fonte, algumas dessas cavidades acabaram posteriormente preenchidas por argilas e areias mais recentes, correspondentes ao Plio-Plistocénico. A paisagem atual resulta, por isso, de diferentes fases geológicas sobrepostas ao longo de milhões de anos.
Pequena praia é marcada por grandes blocos rochosos
A página oficial do Município de Albufeira descreve a Praia do Evaristo como uma pequena praia de areia dourada, predominantemente rochosa e encaixada entre arribas baixas e recortadas. Grandes blocos encontram-se espalhados tanto pelo areal como pela zona submersa.
Essa configuração permite também observar diferentes formas de vida marinha. Nas superfícies rochosas da zona entre-marés podem ser encontrados organismos como cracas, mexilhões, lapas e anémonas, enquanto na água surgem espécies como safias, sargos e peixes-rei.
Acesso pode ser feito por rampa ou escadas
A praia dispõe de acesso rodoviário alcatroado a partir da estrada que liga a Guia à Galé. A partir daí, a sinalização conduz até à zona de acesso à praia, sendo a descida para o areal feita por uma rampa ou por escadas de madeira.
Classificada como água balnear costeira e praia equipada com uso condicionado, está associada a sistemas naturais considerados sensíveis e não sofre influência direta de núcleos urbanos. Para além da utilização balnear, as próprias arribas tornam o local num ponto onde é possível observar vestígios de antigos mares e das transformações que moldaram a costa algarvia.
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