Um homem de 87 anos morreu na madrugada de quarta-feira, 4 de novembro, no Hospital de Portimão, depois de ter aguardado cerca de 10 horas por atendimento médico no Serviço de Urgência. A Unidade Local de Saúde do Algarve (ULS do Algarve) anunciou a abertura de um inquérito interno para esclarecer as circunstâncias da ocorrência e apurar eventuais responsabilidades.
Também a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) confirmou à agência Lusa que vai instaurar um inquérito para investigar as circunstâncias da morte do utente, que se encontrava à espera de observação médica quando foi encontrado inconsciente.
Em declarações à Lusa, o presidente do conselho de administração da ULS do Algarve, Tiago Botelho, explicou que, de acordo com os dados recolhidos pela instituição, o homem deu entrada na urgência por volta das 17:00 de terça-feira, 3 de novembro, tendo permanecido “cerca de 10 horas” à espera de ser chamado para observação médica.
Quando foi chamado para atendimento, por volta das 04:00 de quarta-feira, o utente não respondeu. Perante a ausência de resposta, os profissionais de enfermagem procuraram-no e encontraram-no “inconsciente na sala de espera”, relatou Tiago Botelho, que rejeitou, contudo, a informação de que a morte tivesse ocorrido naquele local.
Presidente da ULS esclarece que morte ocorreu na sala de reanimação
“O doente não morreu na sala de espera. Ele faleceu na sala de reanimação”, afirmou o presidente do conselho de administração da ULS do Algarve.
Segundo Tiago Botelho, depois de ter sido encontrado inconsciente, o utente foi encaminhado para a sala de reanimação, onde acabou por morrer, apesar de ter sido “sujeito a manobras de reanimação sem sucesso”.
O responsável hospitalar explicou que o homem apresentava várias doenças associadas e tinha recorrido ao Serviço de Urgência devido a queixas de vómitos e dor abdominal, tendo recebido pulseira amarela na triagem.
“Tratava-se de um doente que se apresentou à urgência com queixas de vómitos e dor abdominal e, portanto, foi por esse facto que foi triado como amarelo”, esclareceu.
De acordo com Tiago Botelho, os sintomas apresentados pelo utente “não permitiam antecipar o desfecho fatal”.
“São sintomas que em nada faziam prever o desfecho infeliz que acabou por acontecer”, afirmou, acrescentando que o homem tinha antecedentes clínicos, incluindo um acidente vascular cerebral (AVC) e outras doenças crónicas.
“O senhor tinha outras patologias, tinha tido um AVC há algum tempo, tinha outras doenças crónicas, mas, de facto, as queixas não eram compatíveis com uma situação de gravidade elevada”, detalhou.
Utente encontrava-se sozinho na sala de espera
Tiago Botelho esclareceu também que o homem não estava acompanhado por familiares, embora permanecesse numa área frequentada por profissionais de saúde e outros utentes.
“Não estava acompanhado por familiares, mas encontrava-se numa sala onde havia profissionais de saúde à vista, portanto, não era uma situação em que estivesse fora do alcance visual dos nossos profissionais. Aliás, estavam outros doentes também presentes”, referiu.
A administração da ULS do Algarve pretende agora esclarecer as circunstâncias em que ocorreu a morte e determinar se existem responsabilidades associadas ao sucedido.
O caso será igualmente analisado pela IGAS, que confirmou à Lusa a abertura de um inquérito.
Urgência de Portimão recebeu cerca de 200 utentes num dia
Questionado sobre a demora no atendimento, Tiago Botelho reconheceu que o Serviço de Urgência de Portimão registou uma procura superior à habitual no dia em que o homem deu entrada no hospital.
“Efetivamente, o dia de anteontem teve uma procura um pouco mais elevada do que o costume em Portimão. Nós costumamos ter cerca de 120 a 130 episódios por dia. Nesse dia estiveram cerca de 200”, indicou.
O responsável admitiu que o aumento da afluência poderá ter contribuído para os tempos de espera mais prolongados, embora tenha ressalvado que ainda não é possível estabelecer uma relação direta entre essa circunstância e a morte do utente.
Segundo Tiago Botelho, o hospital tem registado “alguma maior afluência inesperadamente, uma maior procura”, situação que poderá estar a condicionar o funcionamento do Serviço de Urgência.
“Não quero afirmá-lo de forma definitiva, mas pode ter contribuído para alguma maior espera na urgência”, concluiu.
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