A laranja produzida no Egito está a ganhar espaço nas grandes superfícies portuguesas e pode chegar às prateleiras com uma diferença de 30 a 40 cêntimos por quilo face à laranja algarvia. O preço está a preocupar os produtores da região, que consideram impossível competir com estes valores enquanto enfrentam, ao mesmo tempo, os efeitos de vários meses praticamente sem chuva.
De acordo com a SIC Notícias, os citrinos egípcios conseguem entrar no mercado a preços bastante inferiores e não estão sujeitos às mesmas regras aplicadas aos produtores dentro da UE. A concorrência surge numa campanha em que se prevê que os pomares algarvios produzam entre 320 e 350 mil toneladas, um volume semelhante ao registado na temporada anterior.
Diferença pode chegar aos 40 cêntimos por quilo
É sobretudo no preço que os produtores nacionais encontram uma das maiores dificuldades. A laranja proveniente do Egito tem vindo a ocupar espaço nas grandes superfícies, chegando a apresentar valores por quilo 30 ou 40 cêntimos inferiores aos do produto algarvio.
Para quem produz no Algarve, igualar esses preços não é considerado possível nas condições atuais. A pressão é particularmente sentida num setor que tem custos de produção próprios e que precisa de respeitar as exigências aplicáveis à agricultura e comercialização dentro do mercado europeu.
Falta de chuva está a afetar o tamanho da fruta
A concorrência externa não é, contudo, o único problema. Há meses que praticamente não chove no Algarve e a ausência de precipitação desde a primavera já está a deixar consequências visíveis nos pomares, sobretudo no calibre dos citrinos.
A quantidade de fruta prevista não deverá afastar-se significativamente da campanha anterior, mas os produtores acompanham com preocupação a evolução das condições hídricas. O tamanho dos frutos pode ser afetado quando a disponibilidade de água é insuficiente, acrescentando outra dificuldade a uma campanha já marcada pela pressão sobre os preços.
Produtores olham para as obras prometidas
Neste contexto, o setor mantém também a atenção nas soluções anunciadas para reforçar a disponibilidade de água na região. Segundo a mesma fonte, existe preocupação perante eventuais atrasos na construção das barragens prometidas e nos projetos relacionados com o desvio de água do rio Guadiana.
A escassez hídrica tem particular importância para a citricultura algarvia, uma atividade com forte peso económico regional. Por isso, a disponibilidade de água não é encarada apenas como uma questão ligada à produção deste ano, mas como um fator importante para a capacidade de manter a atividade ao longo das próximas campanhas.
Laranja algarvia chega a supermercados alemães e franceses
Apesar das dificuldades no mercado interno, os citrinos produzidos no Algarve continuam a encontrar compradores além-fronteiras. A fama associada à laranja algarvia tem permitido chegar a canais de distribuição relevantes em outros países europeus.
A SIC Notícias dá o exemplo do Lidl, através do qual citrinos da região chegam durante todo o ano a supermercados da Alemanha e de França. Esta presença permite aos produtores alcançar mercados externos num momento em que a concorrência de fruta importada se faz sentir também dentro de Portugal.
Empresas do setor faturaram quase 62 milhões de euros
Os números do Instituto Nacional de Estatística citados pela estação televisiva ajudam a mostrar o peso económico desta produção. Em 2024, as empresas algarvias dedicadas à cultura de citrinos registaram quase 62 milhões de euros de volume de negócios.
Desse montante, mais de 45 milhões de euros corresponderam a exportações, reforçando a importância dos mercados internacionais para o setor. Ainda assim, a chegada de laranja egípcia com diferenças de preço que podem atingir os 40 cêntimos por quilo e a falta prolongada de chuva colocam os produtores algarvios perante duas pressões distintas numa campanha em que esperam colher até 350.000 toneladas.
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