O presidente da Câmara de Portimão, Álvaro Bila, exigiu medidas urgentes após os casos de utentes que terão morrido sem observação médica nas urgências do hospital da cidade.
Autarca pede reuniões à ministra e à ULS
Num comunicado citado pela Lusa, o autarca anunciou que vai pedir reuniões urgentes à ministra da Saúde, Ana Paula Martins, e à administração da ULS do Algarve.
“Um hospital existe para cuidar e salvar vidas”, afirmou, defendendo que os profissionais devem ser ouvidos e que é necessário apurar responsabilidades. Manifestou ainda condolências às famílias e solidariedade com as equipas de saúde.
Dois casos divulgados nos últimos dias
Um dos episódios envolve um homem de 87 anos que morreu na madrugada de 4 de novembro, depois de uma espera prolongada pela primeira observação médica.
O utente dera entrada na tarde anterior, com dores abdominais e vómitos, tendo recebido pulseira amarela. Quando foi chamado, já de madrugada, não respondeu e foi encontrado inconsciente pelos enfermeiros.
A administração hospitalar esclareceu que o óbito foi declarado na sala de reanimação, após tentativas de reanimação sem sucesso. A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde anunciou também um inquérito ao caso.
Entretanto, uma reportagem da SIC Notícias revelou a morte de outro homem, de 94 anos, que terá permanecido cerca de 24 horas sem observação médica. Segundo a reportagem, o episódio ocorreu a 7 de outubro.
A denúncia da equipa de enfermagem refere recusas de observação por médicos e falhas de coordenação no serviço. Os profissionais pedem escusa de responsabilidade pelas condições em que trabalham.
ULS confirma inquéritos e anuncia resposta operacional
Numa resposta enviada à Lusa, a ULS do Algarve confirmou ter recebido uma exposição interna sobre o funcionamento da urgência e garantiu que todas as situações descritas deram origem à abertura de inquéritos.
A instituição apontou também a permanência prolongada de utentes nos hospitais por razões sociais, que condiciona o acesso de outras pessoas aos serviços.
Para aliviar a ocupação das urgências, pediu aos diretores de departamentos e serviços que agilizem a transferência daqueles utentes para as respetivas enfermarias. A ULS considera prematuro avançar com mais conclusões enquanto decorrem as averiguações.
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