No final do verão de 2019, quando os irmãos Cristina e Alexandre Palma inauguraram a Casa Grande, no centro histórico de Olhão, não imaginavam o desafio que teriam pela frente menos de um ano depois: a pandemia. Para Alexandre, “foi como se a época baixa tivesse durado vários anos”.
O projeto que nas palavras de Cristina “começou devagarinho, só com dois quartos”, teve de ficar em suspenso no início de 2020 e a palavra “desistir” até chegou a estar em mente, mas nunca passou à realidade. Mais de seis anos depois, e a partir do escritório que montaram na Casa Grande para tratar das burocracias do alojamento, Cristina e Alexandre contam ao POSTAL que o negócio está a ser um “sucesso”.

Ambos conciliam a gestão da Casa Grande com outros desafios profissionais
A alegria dos dois irmãos estende-se também à mãe. “Ela tinha gosto que houvesse um negócio familiar”, partilha Cristina. Foi pela mãe que se aventuraram no projeto e hoje continuam, mais pelas ligações familiares que fortaleceram do que pelo rendimento extra que recebem no final do mês. “Um dos pontos positivos acho que foi mesmo nós enquanto família termos que lidar ainda mais uns com os outros”, revela Cristina, acrescentando ainda que o projeto “criou uma união muito gira entre nós que é muito bonita de se ver”.
Tanto um, como o outro, conciliam a atividade na Casa Grande com outros empregos nas suas áreas de formação. Enquanto Cristina está ligada às artes, Alexandre dedica-se às tecnologias. Também no alojamento cada um tem as suas tarefas. Alexandre prefere as limpezas. Cristina, por sua vez, foca-se no atendimento. Ainda assim, há sempre espaço para assumirem outras funções. “Apesar de termos áreas designadas que se foram estabelecendo mais ou menos naturalmente, nós acabamos sempre por trocar de papéis”, assumem.

Mãe de Cristina e Alexandre participa ativamente no negócio
Na retaguarda está sempre a mãe, que segundo os dois filhos, “gosta genuinamente das pessoas, dá imensa ajuda, é muito ativa e é aquela pessoa que está sempre a querer saber se os hóspedes estão bem”. Também a presença da mãe no projeto tem um valor maior para Alexandre do que a ajuda direta que dá na Casa Grande. “Isto veio estreitar os laços familiares de sangue que nós já tínhamos, inclusive com a nossa mãe, que já tem uma certa idade e isto permite-nos estar com ela quase todos os dias”, destaca.
Quando questionados sobre planos para o futuro da Casa Grande, os proprietários adiantaram que as “fichas” estão apontadas para o terraço, um dos cartões de visita do espaço que é muito elogiado pelos hóspedes. “Dali consegue-se ver a parte antiga de Olhão com as várias açoteias, vê-se um pouco do mar, a ilha do Farol e a igreja”, salienta Alexandre.

Há uma vontade grande de verem os hóspedes felizes
Para além das melhorias no terraço, os irmãos olhanenses prometem no futuro continuar a acolher todos os hóspedes com o mesmo cuidado com que receberam a primeira família no final do verão de 2019. “Foi uma colega nossa que tinha um alojamento na Costa Vicentina e que veio com dois filhos”, recorda Cristina. “Na altura nós só tínhamos duas camas naquele quarto e nós fomos a correr comprar uma cama pequena, porque pensámos, a primeira cliente tem de ser super acarinhada e bem tratada”, conclui.
O que é certo é que, à medida que o tempo passa, com mais ou menos dificuldades, Cristina e Alexandre vão continuar sempre a lutar para que o fator humano na Casa Grande seja mais valioso do que o económico. Vão continuar a acompanhar as pessoas mesmo antes de fazerem o check-in e até a sentar-se à mesa com os hóspedes, se possível também na companhia da mãe. No fim, serão as memórias como a que Cristina guarda do dia em que entrou “de mão dada com a avó pela porta lateral do Mercado do Peixe de Olhão” que vão escrever a verdadeira história da Casa Grande, a história de uma família feliz, que procura fazer outras famílias igualmente felizes.
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