O grupo cimenteiro português Cimpor assegurou, esta terça-feira, 3 de novembro, que não está envolvido em qualquer projeto de construção de uma incineradora de resíduos no Algarve, afastando também a possibilidade de participar numa iniciativa desta natureza na região, onde possui uma unidade de produção no concelho de Loulé.
O esclarecimento surge na sequência da posição assumida, na segunda-feira, pelo presidente da Câmara Municipal de Loulé, Telmo Pinto, que solicitou informações à ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, sobre a eventual instalação de uma unidade de incineração no concelho. O autarca manifestou a “oposição frontal” do município ao projeto, recordando que Loulé já acolhe o Aterro Sanitário do Sotavento, localizado na freguesia de Salir.
Em comunicado, a empresa rejeita qualquer ligação às soluções de valorização energética de resíduos que estão a ser equacionadas para a região. “A propósito das informações recentemente divulgadas sobre eventuais soluções de valorização energética de resíduos na região do Algarve, a Cimpor esclarece que não tem qualquer envolvimento ou participação em projetos para a instalação de uma unidade de incineração na região”, esclarece o grupo cimenteiro.
A Cimpor assegurou que “não promoveu nem mantém quaisquer contactos ou diligências com vista ao desenvolvimento de uma iniciativa desta natureza no Algarve” e afastou o cenário de participação, “direta ou indiretamente, em qualquer projeto nesse sentido”.
Câmara de Loulé rejeita instalação de incineradora no concelho
Na segunda-feira, 2 de novembro, a Câmara Municipal de Loulé comunicou ao Governo a sua “oposição frontal” à instalação de uma incineradora de resíduos no concelho, rejeitando a “concentração sucessiva de equipamentos com impactes relevantes nos mesmos territórios, sem avaliar os efeitos cumulativos, a capacidade de carga de cada concelho e a justa distribuição dos encargos”.
A ministra do Ambiente lançou o projeto para a criação de uma unidade de valorização energética de resíduos no Algarve, encontrando-se ainda em estudo a localização e a solução tecnológica considerada mais adequada.
Perante este cenário, a Câmara de Loulé solicitou uma reunião com a tutela e os responsáveis técnicos, procurando evitar que a futura infraestrutura seja construída no concelho ou que a solução passe pelo reforço da coincineração de resíduos no Centro de Produção da Cimpor, já existente no município.
PSD de Loulé diz ter recebido esclarecimentos da ministra do Ambiente
Na sequência da posição assumida pelo presidente da Câmara, o PSD de Loulé, principal partido da oposição ao executivo socialista liderado por Telmo Pinto, divulgou um comunicado no qual afirma ter obtido esclarecimentos da ministra do Ambiente sobre o projeto.
De acordo com o PSD local, Maria da Graça Carvalho assegurou que está em causa “uma infraestrutura nova, construída de raiz”, cuja localização permanece em avaliação técnica.
O partido destacou os esclarecimentos prestados pela governante e manifestou uma apreciação positiva do trabalho que está a ser desenvolvido nesta matéria.
O presidente do PSD de Loulé reconheceu a necessidade de encontrar uma solução para os resíduos produzidos no Algarve, tendo em conta que o aterro existente no concelho se aproxima do limite da sua capacidade.
Contudo, defendeu que “nenhuma solução deve ser imposta sem rigor, transparência e respeito pelas populações”, sublinhando a importância de assegurar informação clara sobre as alternativas em análise.
O PSD local acusou ainda o presidente da Câmara Municipal de Loulé de “instrumentalizar politicamente” o assunto, considerando que a população “merece respeito” e deve ser devidamente informada pelo autarca.
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