A situação nas urgências hospitalares do Algarve voltou a gerar preocupação, depois de terem sido conhecidos dois casos de utentes idosos que morreram enquanto aguardavam observação médica. Agora, surgiu a denúncia de uma possível terceira morte, desta vez envolvendo uma criança, que terá ocorrido durante o mês de outubro.
O secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, revelou este domingo, 8 de novembro, que recebeu informações sobre a morte de uma criança no Hospital de Portimão, alegadamente relacionada com dificuldades na assistência hospitalar e no transporte para Faro.
Segundo a CNN Portugal, que avançou a informação com base em declarações do dirigente socialista e da agência Lusa, o caso poderá ter contornos diferentes dos anteriores, uma vez que a criança terá recebido assistência médica, mas acabou por não sobreviver.
ULS Algarve nega morte de criança por falta de assistência
Na sequência das declarações de José Luís Carneiro, a Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve emitiu um comunicado no qual rejeitou a alegação de que uma criança tenha morrido devido à falta de transporte ou de assistência no Hospital de Portimão.
A entidade responsável pela gestão hospitalar da região afirmou que “nega veementemente que uma criança tenha morrido por falta de transporte e assistência no Hospital de Portimão”.
A posição da ULS Algarve contraria a alegação de falta de resposta hospitalar apresentada pelo líder socialista. As informações divulgadas não permitem, contudo, esclarecer todas as circunstâncias da morte referida por José Luís Carneiro.
Dois idosos morreram depois de horas nas urgências
A denúncia surge depois de terem sido conhecidos dois casos de mortes de idosos nas urgências do Hospital de Portimão, ocorridos nos últimos dias.
O primeiro caso envolveu um homem de 87 anos, que morreu na madrugada de quarta-feira, depois de ter permanecido cerca de 10 horas à espera de observação médica. O utente não respondeu quando foi chamado, por volta das 04h00, tendo sido posteriormente encontrado inconsciente na sala de espera pelos enfermeiros.
O presidente da ULS Algarve confirmou a abertura de um inquérito para apurar as circunstâncias da morte e esclarecer o que aconteceu durante o período em que o homem permaneceu nas urgências.
Já na sexta-feira foi conhecido um segundo caso, envolvendo um doente de 94 anos que terá permanecido aproximadamente 24 horas no serviço de urgência sem observação médica, acabando também por morrer.
PS exige explicações ao primeiro-ministro
Durante um almoço com militantes socialistas em Midões, no concelho de Tábua, distrito de Coimbra, José Luís Carneiro revelou que recebeu informações sobre a possível morte de uma criança depois de ter abordado publicamente os casos registados no Hospital de Portimão.
“Morreram duas pessoas por falta de assistência médica nas urgências do Hospital de Portimão. De ontem [sábado] para hoje, e pelo facto de ter falado no assunto, fui contactado no sentido de que poderá ter havido uma outra morte, neste caso, de uma criança, por falta de resposta nesse hospital de Portimão e no transporte para Faro”, afirmou o secretário-geral do PS.
O dirigente socialista acrescentou que, segundo as informações que lhe foram transmitidas, a criança terá morrido em outubro. José Luís Carneiro revelou ainda que já tinha questionado o primeiro-ministro sobre o acompanhamento da situação nas urgências hospitalares algarvias.
“É muito importante que o primeiro-ministro explique aos portugueses, e particularmente aos algarvios, o que é que aconteceu e o que está a pensar fazer para responder aos algarvios que não encontram respostas na saúde, neste caso, nas urgências do Hospital de Portimão”, declarou.
Ministra da Saúde vai ser chamada ao Parlamento
Perante os acontecimentos conhecidos nos últimos dias, o Partido Socialista anunciou que pretende chamar, com caráter de urgência, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, à Assembleia da República.
O objetivo, segundo José Luís Carneiro, é obter esclarecimentos sobre as mortes registadas e conhecer as medidas que o Governo pretende adotar para responder às dificuldades identificadas no funcionamento das urgências hospitalares.
O líder socialista considera que a situação exige uma resposta das autoridades e defende que o Governo deve explicar o que está a fazer para garantir o acesso aos cuidados de saúde no Algarve, particularmente no Hospital de Portimão.
A eventual relação entre as mortes e falhas na prestação de cuidados continua por esclarecer. No caso da criança, a ULS Algarve rejeita expressamente que tenha ocorrido uma morte por falta de transporte ou assistência hospitalar.
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