A brasileira Eliane Moreira Bezerra saiu de Belém do Pará, no Brasil, para visitar o filho e os netos em São Brás de Alportel, sem imaginar que aquela viagem acabaria por mudar o rumo da sua vida. Aos 62 anos, continua a viver na vila algarvia e encontrou no artesanato e na participação comunitária novas formas de ocupar os dias e partilhar aquilo que sabe.
Em entrevista ao jornal O Sambrasense, a decisão de ficar não estava prevista quando chegou a Portugal. Porém, o ritmo mais tranquilo, a qualidade de vida e a forma como se sentiu recebida levaram-na a escolher São Brás de Alportel como casa, mesmo depois de os filhos terem seguido para outra zona do país.
Veio visitar o filho e acabou por mudar de vida
A ligação de Eliane a Portugal já existia através da família. O avô era português e a mãe tem nacionalidade portuguesa, mas foi a mudança do filho para o Algarve que acabou por proporcionar o primeiro contacto mais próximo com São Brás de Alportel.
Inicialmente, a viagem tinha apenas como objetivo passar algum tempo com o filho e os netos. O contacto com a vila, contudo, alterou os planos. A brasileira encontrou um ambiente de proximidade e acolhimento que facilitou a adaptação e fez com que permanecer no concelho surgisse como uma possibilidade natural.
No Brasil construiu uma carreira na Educação
Antes desta mudança, Eliane tinha desenvolvido um percurso profissional ligado à Educação. Formada em Pedagogia, desempenhou funções como diretora escolar e coordenadora pedagógica, trabalhando igualmente em Educação Especial e Educação Emocional Positiva.
Mantém ainda ligação à educação e à psicanálise, tendo sido cofundadora do Instituto Andrea Vermont do Brasil, onde concluiu também a sua formação nesta última área. A experiência acumulada continua a ser uma parte importante daquilo que pretende desenvolver em Portugal.
Formação não tem correspondência direta em Portugal
Uma das maiores dificuldades encontradas desde que se instalou no Algarve surgiu precisamente na vertente profissional. Eliane considera ainda que a formação em Pedagogia existente no Brasil não encontra uma correspondência direta em Portugal, o que tem dificultado a concretização de projetos na sua área.
Ainda assim, mantém várias ideias direcionadas a crianças e jovens. Entre os temas que gostaria de trabalhar estão a prevenção do consumo de drogas, o combate à violência sexual e iniciativas de carácter religioso que aproximem famílias, jovens e restante comunidade.
Artesanato tornou-se outra forma de integração
Enquanto aguarda oportunidades para aplicar a experiência profissional, Eliane encontrou no artesanato um novo espaço de participação. Faz parte da Casa do Artesão, em São Brás de Alportel, onde apresenta algumas das peças que produz.
Entre os trabalhos estão terços e bijuteria feitos a partir de pétalas de rosas, utilizando uma técnica que aprendeu no Brasil e trouxe consigo para o Algarve. Além do artesanato, participa ainda em diferentes atividades promovidas pela Paróquia de São Brás de Alportel.
Filhos partiram, mas Eliane decidiu ficar
A mudança dos filhos para outra zona do país não foi suficiente para a fazer abandonar a vila. Eliane decidiu permanecer em São Brás de Alportel, mantendo o contacto regular com a família através da internet e viajando ao Brasil sempre que possível para visitar a mãe.
O ambiente calmo e a relação com a comunidade estão entre os aspetos que mais valoriza na vida que construiu no Algarve. Aquilo que começou como uma visita ao filho acabou, assim, por transformar-se numa mudança definitiva, com Eliane a encontrar em São Brás de Alportel um lugar onde pretende continuar a viver, aprender e partilhar a sua experiência.
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