A região do Algarve, coração pulsante do turismo português, enfrenta um fevereiro mais sombrio em 2025, com a ocupação média hoteleira por quarto nas unidades a cair para 48,8%, uma descida de 1,9 pontos percentuais face ao mesmo mês de 2024.
Os dados provisórios da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), divulgados esta quinta-feira, lançam um alerta sobre os desafios que a região enfrenta fora da alta temporada, num momento em que o setor luta para manter o brilho que o caracteriza.
Uma queda que preocupa
A taxa de ocupação por quarto situou-se em 44,8%, refletindo uma quebra de 4,1% em relação a fevereiro de 2024. Apesar disso, há um ligeiro consolo ao olhar para trás: comparado com 2019 – o último ano com um Carnaval em datas semelhantes a 2025 – a ocupação subiu 1,5 pontos percentuais, um aumento de 3,6%. Ainda assim, estes números não escondem a realidade de um inverno menos vibrante para o turismo algarvio, numa região que depende fortemente da sazonalidade.
Mercados em destaque e uma ausência sentida
Os mercados espanhol e alemão foram os salvadores do mês, com subidas impressionantes de 20% e 6%, respetivamente, face a 2024. Estas nacionalidades trouxeram algum alento às unidades hoteleiras, mas o mercado nacional deu um passo atrás, com uma queda acentuada de 20% na procura. “É um sinal preocupante. Os portugueses estão a optar menos pelo Algarve no inverno”, lamenta um hoteleiro local, que preferiu o anonimato. Esta retração do turismo interno é um golpe sentido numa região que sempre contou com os visitantes nacionais para equilibrar as contas nos meses mais frios.
Estadias mais curtas
A estadia média também encolheu, fixando-se em 3,9 noites, menos 0,4 noites do que em 2024. Os holandeses destacaram-se como os mais fiéis, com uma média de 8,8 noites, seguidos dos canadianos, com 5,9 noites. Estes números mostram que, apesar de alguns turistas optarem por estadias prolongadas, a tendência geral é de visitas mais breves, o que reduz o impacto económico no Algarve.
Um olhar para o futuro
A AHETA sublinha que os dados refletem apenas as unidades em funcionamento, num contexto em que muitos estabelecimentos fecham portas no inverno. Para o Algarve, esta descida na ocupação é mais do que um número – é um apelo à resiliência. “Temos de reinventar o inverno algarvio, atrair mais visitantes todo o ano”, defende um representante da associação, apontando para a necessidade de diversificar a oferta turística além do sol e praia.
Com o Carnaval de 2025 já passado, o Algarve olha agora para a primavera com esperança, mas também com a consciência de que os desafios da sazonalidade continuam a pesar. A região, tão acostumada a acolher multidões no verão, procura agora formas de aquecer o coração dos turistas – e da economia local – nos meses mais frios.
Leia também: Aprenda o método norueguês para secar a roupa em cinco minutos sem recurso a máquina