Vários membros do Chega, entre os quais as deputadas Rita Matias e Madalena Cordeiro, entraram na última segunda-feira, 12 de outubro, no estúdio da Rádio Universidade de Coimbra (RUC), quando decorria um debate político em direto. A emissão acabou por ser interrompida e os representantes do partido deixaram posteriormente as instalações após a chegada da PSP.
Segundo a agência de notícias Lusa, a iniciativa surgiu como protesto contra uma deliberação da Associação Académica de Coimbra (AAC), aprovada em Assembleia Magna em fevereiro, que impede a participação do Chega em eventos da instituição e a entrada de representantes do partido nas suas instalações. A RUC funciona precisamente no edifício-sede da associação.
Chega tinha sido convidado a participar à distância
Naquela manhã estreava o programa de debate político “Ampulheta”, destinado à participação de representantes das juventudes dos partidos com assento parlamentar. No estúdio encontravam-se elementos ligados ao Livre, JS, JSD e IL.
O Chega também tinha recebido um convite, mas para participar através de meios digitais devido à decisão em vigor na AAC. Jaime Raposo, do Departamento de Informação da RUC, explicou à Lusa que esta solução procurava assegurar a presença de todas as forças políticas. No domingo, dia 11, o partido comunicou que não aceitaria participar nesses moldes.
Emissão continuou depois da entrada no estúdio
Os elementos do partido entraram no edifício por volta das 9:30 h e chegaram ao estúdio durante a transmissão. Segundo o relato publicado pela própria RUC, as deputadas permaneceram inicialmente a assistir ao debate enquanto este continuava.
A situação alterou-se quando Rita Matias tentou intervir através de um dos microfones. Jaime Raposo contou que decidiu então cortar a emissão, acrescentando que vários dos presentes estavam a filmar com telemóveis e que lhes foi pedido que parassem as gravações e abandonassem o estúdio.
PSP chegou ao edifício
Segundo o responsável da rádio ouvido pela Lusa, os elementos do Chega disseram que pretendiam permanecer no local e participar no programa. O grupo só abandonou o estúdio após a chegada de três agentes da PSP.
A RUC refere que as autoridades chegaram pelas 9:55 h. José Machado, presidente da Direção-Geral da AAC, afirmou à rádio que a chamada da polícia não partiu dos órgãos da associação e que as autoridades já tinham conhecimento prévio da deslocação das deputadas a Coimbra.
Rita Matias contesta decisão da Académica
Rita Matias apresentou uma versão diferente sobre os objetivos da ação. À agência noticiosa, a deputada considerou “ofensivo” que o Chega apenas pudesse participar remotamente, argumentando que esse formato não colocava todos os representantes partidários nas mesmas condições durante o debate.
A coordenadora da juventude do partido afirmou ainda que não retirou o microfone a qualquer participante e que a intenção era “contribuir para o debate”. Segundo Rita Matias, estiveram presentes 17 jovens do Chega, tendo a deputada classificado a deliberação da AAC que impede a presença do partido nas instalações como não democrática e inconstitucional.
AAC fala em desrespeito pela instituição
A decisão contestada pelo Chega tinha sido aprovada em fevereiro pela Assembleia Magna da AAC, com 273 votos favoráveis, três contra e 30 abstenções. A Direção-Geral da associação reagiu posteriormente, considerando a entrada da comitiva um “claro desrespeito para com a soberania” da instituição.
Já Rita Matias afirmou que o partido pretende continuar a contestar a proibição e garantiu que a ação não era dirigida contra a Rádio Universidade de Coimbra. A deputada sustentou que não existia intenção de impedir permanentemente a emissão, enquanto a RUC mantém que a transmissão foi interrompida após a tentativa de intervenção no microfone e a permanência do grupo no estúdio.
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