Quarteira mudou. E mudou muito.
Quem conhece esta terra há décadas sabe que já não somos a Quarteira de outros tempos. A cidade cresceu, passou a acolher milhares de novos habitantes, afirmou-se como um dos principais destinos turísticos do Algarve e ganhou uma importância económica e social que não pode ser ignorada.
Mas há uma pergunta que devemos fazer.
Crescer é suficiente?
Na minha opinião, não.
Uma terra pode crescer em população, em construção e em número de visitantes e, ainda assim, não evoluir na mesma proporção.
Evoluir significa conseguir responder melhor às necessidades de quem aqui vive, de quem trabalha e de quem nos visita. Significa melhorar a qualidade de vida, valorizar o espaço público e criar condições para que o desenvolvimento se traduza em benefícios concretos para a comunidade.
É precisamente aqui que devemos centrar o debate.
Quarteira precisa de olhar para o futuro com ambição, mas também com planeamento. Precisa de continuar a melhorar o espaço público, encontrar soluções para os problemas do estacionamento e da mobilidade, enfrentar os desafios da habitação e reforçar a segurança e os serviços de proximidade.
Mas precisa igualmente de cuidar das pessoas.
Uma cidade que se quer moderna não pode esquecer os seus seniores, as famílias que enfrentam dificuldades para permanecer na terra onde construíram a sua vida, os comerciantes, os pescadores e todos aqueles que fazem parte da identidade de Quarteira.
O desenvolvimento não se mede apenas pelo que se constrói, pelo número de visitantes que recebemos ou pela dimensão dos investimentos realizados. Mede-se também pela forma como as pessoas vivem, pelas oportunidades que encontram e pela capacidade de uma comunidade preservar a sua identidade enquanto se prepara para o futuro.
Também não devemos cair na tentação de considerar que tudo está mal. Não está. Há investimento, há trabalho realizado e há projetos importantes para o futuro. Reconhecer o que está bem feito não diminui ninguém. Pelo contrário, permite-nos valorizar o que foi conseguido e, ao mesmo tempo, exigir mais, com seriedade e sentido de responsabilidade.
O verdadeiro desafio está em não nos contentarmos com aquilo que já alcançámos.
Quarteira tem condições para ser ainda mais atrativa, mais organizada, mais segura e mais inclusiva. Para isso, precisamos de visão, capacidade de planeamento e, sobretudo, determinação para transformar ideias em ações concretas.
É fácil identificar um problema. Mais difícil é apresentar uma solução. E mais exigente ainda é acompanhar essa solução até que produza resultados.
É assim que entendo a participação cívica. Não como uma disputa permanente entre quem governa e quem critica, mas como uma responsabilidade partilhada por todos os que gostam desta terra e querem contribuir para o seu futuro.
Quarteira merece ambição.
Merece debate.
Merece ideias novas.
E merece que não tenhamos medo de pensar maior.
Porque Quarteira não pode limitar-se a crescer. Tem de evoluir.
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