A escolha de uma equipa para uma campanha eleitoral ou para gerir um concelho é uma das decisões mais estratégicas e determinantes que um candidato a qualquer autarquia terá de tomar. Existem duas opções que, embora possam parecer semelhantes, elas têm objetivos e requisitos muito diferentes.
Escolher uma equipa para ganhar as eleições
Escolher uma equipa com o único objetivo de ganhar as eleições é tentador e, infelizmente, é a prática mais enraizada nos partidos políticos, especialmente quando o foco está em estratégias de curto prazo, promessas eleitorais e a mobilização do apoio popular. O candidato ao escolher membros com grande visibilidade pública, carisma ou popularidade, quer atrair votos, criar uma imagem positiva, mais do que ter uma equipa com competências técnicas ou experiência na gestão pública.
A popularidade de um membro não é garantia de que será capaz de trabalhar de forma coesa e em colaboração com a restante equipa. Quando os membros da vereação são escolhidos com base na sua visibilidade, podem existir divergências ou mesmo conflitos de interesse, falta de alinhamento nos objetivos e lutas de egos dentro dos executivos. Uma equipa sem coesão e sem uma visão comum não toma decisões eficazes e cria um executivo desorganizado e improdutivo. A popularidade de certos membros pode até obscurecer as verdadeiras necessidades do concelho, resultando em prioridades mal definidas e projetos inadequados para a realidade do município.
Escolher uma equipa para gerir o concelho
Escolher uma equipa com a competência necessária para gerir um concelho a longo prazo é, sem dúvida, a abordagem mais sólida e prudente. Neste cenário, os candidatos às autarquias devem priorizar o perfil técnico e a capacidade de gestão dos seus colaboradores, assegurando que a equipa tenha experiência em áreas fundamentais como o planeamento urbano, gestão financeira, políticas sociais, desenvolvimento económico, meio ambiente e infraestruturas.
Ter profissionais com diferentes experiências e habilidades nas várias áreas da administração municipal permite que o candidato, se eleito, tenha uma equipa capaz de abordar as várias necessidades e desafios de forma integrada e eficiente. Além disso, a diversidade política e a representatividade dentro da vereação também são aspetos importantes a considerar. A escolha de uma equipa que represente diferentes setores da sociedade local – incluindo jovens, mulheres, idosos e outras comunidades – garante que as políticas da autarquia sejam mais inclusivas e alinhadas com as expetativas e necessidades de toda a população.
A equação ideal: equipa para ganhar e gerir
Na prática, a solução ideal está na combinação de ambas as abordagens: uma equipa que seja capaz de mobilizar o apoio durante a campanha e, ao mesmo tempo, tenha as habilidades e competências necessárias para gerir o concelho com eficácia após a eleição.
Escolher uma equipa apenas com base na popularidade dos seus membros, sem considerar as suas capacidades de gestão ou competências técnicas, traz sérios perigos para a administração de um município. Embora a popularidade possa ser um fator importante numa campanha, ela não garante, de forma alguma, a eficácia na gestão de uma autarquia o que abre espaço ao populismo, onde as decisões são tomadas com base no desejo de agradar ao eleitorado imediato, sem considerar as implicações a longo prazo. Além disso, esse tipo de abordagem cria uma cultura de clientelismo, onde as decisões políticas são mais influenciadas por interesses pessoais ou eleitorais do que pelo interesse coletivo da população.
Um bom líder deve ser capaz de conciliar a conquista do voto com a gestão responsável e competente, criando uma equipa coesa, qualificada e comprometida com o futuro do município. A liderança eficaz de um futuro presidente não se constrói apenas com decisões individuais, mas também com a sua capacidade de delegar e confiar nas pessoas certas. Liderar é ter a competência para motivar, inspirar e desenvolver as pessoas que o acompanham, criando um ambiente de trabalho que favoreça a criatividade e a inovação, baseado na competência, qualificação e preparação para lidar com os desafios da administração local, tomando decisões fundamentadas que realmente atendam às necessidades das populações.
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