Os refeitórios escolares vão deixar de poder servir vários alimentos ultraprocessados e passam a ter regras mais apertadas para sobremesas doces, carne vermelha, fritos e produtos processados. As novas orientações para as refeições escolares foram divulgadas esta sexta-feira e apontam para uma alimentação mais próxima da Dieta Mediterrânica, alterando significativamente a composição das ementas servidas aos alunos.
De acordo com a agência noticiosa Lusa, as “Orientações para Refeições e Refeitórios Escolares de 2026”, preparadas pelo Instituto de Educação, Qualidade e Inovação (EDUQA) em colaboração com a Direcção-Geral da Saúde, estabelecem um conjunto de novas regras destinadas a promover hábitos alimentares mais saudáveis entre crianças e jovens.
Menos processados, mais fruta e leguminosas
Entre as principais alterações está a proibição de produtos ultraprocessados de carne e de pescado com mais de 40% de redução da proteína animal. Nesta categoria incluem-se alimentos como nuggets, delícias do mar, barritas ou filetes de peixe processados e produtos semelhantes.
As orientações determinam igualmente que as ementas escolares não devem integrar preparados à base de carne ou pescado como rissóis, croquetes ou pastéis de bacalhau. Os enchidos, fiambre e outras carnes processadas passam a ter uma utilização residual, devendo servir apenas para conferir sabor a determinadas preparações.
A fruta fresca assume agora um papel central. A sobremesa deverá ser, regra geral, fruta, sendo exigida a disponibilidade de três variedades diferentes. As sobremesas doces, como gelados de leite, sobremesas lácteas ou gelatinas, ficam limitadas a uma única vez por mês.
Também nas bebidas há uma alteração clara: a água passa a ser a única opção disponível nos refeitórios escolares.
Carne vermelha reduzida e mais refeições de peixe
As novas directrizes reforçam ainda a necessidade de diminuir o consumo de carne vermelha. As escolas deverão servir, no máximo, quatro refeições deste tipo por mês. Em alternativa, é incentivada a utilização de carnes brancas.
Já o pescado ganha maior relevância, recomendando-se que o número de refeições à base de peixe seja igual ou superior ao das refeições de carne. Os ovos, por sua vez, apenas deverão surgir uma vez por semana como fonte proteica animal exclusiva.
As leguminosas passam a ter presença diária nas refeições dos alunos, podendo ser incluídas na sopa ou no prato principal. Também os hortícolas deverão integrar o tabuleiro todos os dias.
Menos sal, menos fritos e mais produtos locais
As orientações recomendam ainda uma maior utilização de cereais integrais, uma redução do teor de sal e o recurso a ervas aromáticas como alternativa para temperar os alimentos. O sal utilizado deverá ser obrigatoriamente iodado.
As frituras ficam limitadas a duas vezes por mês. Em simultâneo, é incentivada a utilização de produtos locais e sazonais, bem como a valorização das receitas tradicionais portuguesas e dos métodos de confecção associados à Dieta Mediterrânica.
A opção vegetariana mantém-se obrigatória em todas as escolas. No entanto, produtos como tofu, seitan, tempeh e similares não deverão ser servidos mais de duas vezes por mês, privilegiando-se o recurso às leguminosas.
Refeitórios com papel educativo
Além das alterações alimentares, o documento atribui aos refeitórios uma função pedagógica na promoção de hábitos saudáveis e na redução do desperdício alimentar.
As refeições deverão decorrer durante pelo menos 30 minutos, sem contabilizar o tempo de espera para entrada no refeitório, que não deverá ultrapassar os 10 a 15 minutos. A organização da linha de serviço também é abordada: os legumes devem surgir primeiro e a fruta deve estar colocada em local visível e apelativo.
As orientações incluem ainda a revisão das porções alimentares em função das diferentes faixas etárias e reforçam a protecção das crianças e jovens através da limitação de espécies de pescado com elevados teores de metilmercúrio. Segundo a mesma fonte, estas medidas procuram assegurar refeições nutricionalmente equilibradas e acessíveis a todos os alunos, independentemente do respectivo contexto socioeconómico.
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