Depois de várias semanas marcadas pela ausência de precipitação significativa, Portugal continental prepara-se para enfrentar uma mudança acentuada do estado do tempo. A chuva deverá regressar em força a partir de domingo, 8 de novembro, com vários dias consecutivos de instabilidade e acumulados que poderão atingir valores elevados em determinadas regiões.
O meteorologista Alfredo Graça, da Meteored Portugal, alerta que estão previstos entre 150 e 250 milímetros de precipitação acumulada em zonas de 10 distritos do Norte e Centro, entre domingo e quinta-feira, 12 de novembro. A previsão resulta das projeções do modelo europeu ECMWF e está associada à influência da depressão Bruna.
Segundo o especialista, o episódio poderá caracterizar-se por períodos de chuva forte, abundante e persistente, alimentados por sucessivas frentes atlânticas. A combinação entre a humidade transportada do oceano e o relevo de determinadas regiões poderá favorecer acumulados particularmente expressivos.
Depressão Bruna vai enviar um “comboio” de frentes para Portugal
A primeira frente atlântica chegou a Portugal continental na sexta-feira, 6 de novembro, colocando fim a um período prolongado de tempo predominantemente seco. Este sábado, 7 de novembro, o estado do tempo apresenta uma melhoria temporária, embora ainda possam ocorrer aguaceiros pós-frontais.
Contudo, esta pausa deverá ser curta. De acordo com Alfredo Graça, a depressão Bruna, situada a norte-nordeste dos Açores, deverá intensificar-se nos próximos dias, podendo apresentar uma pressão atmosférica próxima dos 975 hectopascais na segunda-feira, 9 de novembro.
A partir do meio da tarde de domingo, a depressão deverá impulsionar sucessivas frentes em direção ao território continental, dando origem a um período prolongado de precipitação. A instabilidade poderá manter-se até quinta-feira, 12 de novembro, existindo ainda a possibilidade de a chuva continuar na sexta-feira, dia 13.
Estes são os 10 distritos onde poderão cair até 250 mm de chuva
Segundo os mapas de precipitação acumulada do modelo ECMWF analisados pela Meteored, os valores mais elevados poderão concentrar-se em áreas dos distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Vila Real, Viseu, Guarda, Castelo Branco, Coimbra e Leiria.
Nestas regiões, os acumulados poderão situar-se entre 150 e 250 milímetros durante os cinco dias compreendidos entre 8 e 12 de novembro. Estes valores correspondem a 150 a 250 litros de água por metro quadrado, embora não signifiquem que todas as localidades dos distritos mencionados venham a receber a mesma quantidade de chuva.
No Norte, as zonas mais expostas deverão situar-se sobretudo a oeste da chamada Barreira de Condensação, incluindo Viana do Castelo, Braga, Porto e o setor ocidental de Vila Real. Já no Centro, destacam-se áreas de Aveiro, Viseu, Coimbra, Leiria, Guarda e Castelo Branco, particularmente nas regiões montanhosas.
A distribuição da precipitação não deverá ser uniforme. No Nordeste Transmontano, por exemplo, a previsão aponta para acumulados inferiores, entre 50 e 100 milímetros em grande parte do distrito de Bragança.
Rio atmosférico poderá intensificar a precipitação
Um dos fatores que ajuda a explicar a intensidade prevista da chuva é a formação de um rio atmosférico, fenómeno caracterizado pelo transporte de grandes quantidades de vapor de água através da atmosfera.
Segundo Alfredo Graça, as projeções do ECMWF mostram um extenso corredor de humidade proveniente da região das Caraíbas, que deverá ser encaminhado pela circulação associada à depressão Bruna em direção a Portugal.
Esta massa de ar muito húmida poderá alimentar as sucessivas frentes atlânticas, favorecendo períodos de precipitação persistente e abundante, sobretudo nas regiões mais expostas aos ventos de sudoeste.
O relevo também terá um papel importante. Quando o ar húmido encontra as montanhas, é forçado a subir, arrefecendo e favorecendo a condensação do vapor de água. Este processo pode intensificar a precipitação nas vertentes expostas ao vento.
É o que poderá acontecer em zonas próximas das serras da Lousã, do Açor e da Estrela, onde a orientação das vertentes montanhosas poderá contribuir para acumulados superiores aos registados em áreas vizinhas.
Chuva forte será acompanhada por vento e agitação marítima
O agravamento do estado do tempo não deverá limitar-se à precipitação. A passagem das sucessivas frentes poderá também provocar um aumento da intensidade do vento, com rajadas fortes de sul e sudoeste em determinados períodos.
A Meteored admite ainda um agravamento da agitação marítima, pelo que a combinação de chuva persistente, vento e ondulação poderá aumentar os riscos associados a este episódio de instabilidade.
Entre os possíveis impactos encontram-se inundações localizadas, acumulação de água em zonas urbanas, dificuldades de circulação rodoviária e galgamentos costeiros. O risco poderá ser agravado em locais onde os sistemas de drenagem não consigam escoar rapidamente a precipitação.
O meteorologista chama igualmente a atenção para os solos que permaneceram secos durante várias semanas. Em determinadas condições, a capacidade inicial de absorção da água pode ser reduzida, favorecendo o escoamento superficial e aumentando a possibilidade de inundações rápidas.
Previsões ainda podem sofrer alterações nos próximos dias
Apesar dos acumulados elevados apresentados pelos modelos meteorológicos, Alfredo Graça sublinha que a distribuição e a intensidade da precipitação ainda poderão sofrer alterações.
A evolução da depressão Bruna, a trajetória das frentes associadas e a posição do corredor de humidade serão determinantes para perceber quais as localidades que poderão receber as maiores quantidades de chuva.
O especialista destaca que tanto o modelo europeu ECMWF como o modelo norte-americano GFS têm apontado para um episódio de precipitação abundante e persistente em várias regiões do Norte e Centro.
Ainda assim, os valores apresentados correspondem a previsões meteorológicas e não a quantidades de chuva garantidas. A população deverá acompanhar as atualizações do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e os eventuais avisos emitidos pelas autoridades.
Perante a possibilidade de vários dias de chuva intensa, recomenda-se especial atenção à limpeza de sistemas de drenagem, à circulação em zonas habitualmente inundáveis e à segurança junto de linhas de água.
O período de maior instabilidade deverá começar na tarde de domingo, 8 de novembro, e prolongar-se pelos dias seguintes, com especial incidência nas regiões do Norte e Centro de Portugal continental.
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