O tempo seco e as temperaturas relativamente amenas que têm marcado as últimas semanas podem estar prestes a chegar ao fim. As previsões meteorológicas apontam para uma alteração significativa do estado do tempo, com a possibilidade de vários dias consecutivos de chuva, vento mais intenso e um agravamento das condições marítimas.
A mudança deverá começar já na sexta-feira, 6 de novembro, mas será no início da próxima semana que o cenário poderá tornar-se mais complicado. Os modelos meteorológicos admitem a aproximação de uma depressão atlântica profunda, cujo centro poderá atingir valores de pressão atmosférica próximos dos 988 hectopascais (hPa).
De acordo com a meteorologista Marta Godinho, num artigo publicado esta terça-feira, 3 de novembro, na Meteored, as mais recentes projeções do modelo europeu ECMWF indicam que Portugal continental poderá enfrentar um período prolongado de instabilidade entre os dias 6 e 13 de novembro.
Primeira frente fria chega a Portugal na sexta-feira
A alteração do estado do tempo deverá começar a sentir-se na sexta-feira, dia 6, com a chegada de uma frente fria associada a um sistema depressionário que se encontra em desenvolvimento no Atlântico, nas proximidades dos Açores.
Embora o centro da depressão ainda esteja relativamente afastado do território continental, a frente associada deverá ser suficiente para provocar o regresso da precipitação, depois de um período prolongado marcado pela escassez de chuva.
Esta mudança poderá ser particularmente importante para os solos, que enfrentaram várias semanas de tempo seco. No entanto, os especialistas alertam que a precipitação mais intensa pode favorecer o escoamento superficial, sobretudo em terrenos compactados ou com reduzida capacidade de infiltração.
Fim de semana poderá trazer chuva de norte a sul
O sábado, 7 de novembro, deverá continuar marcado pela influência da circulação depressionária, com possibilidade de aguaceiros e períodos de precipitação associados à passagem da primeira frente fria.
No domingo, dia 8, as previsões apontam para a aproximação de uma nova frente, que poderá provocar chuva em grande parte de Portugal continental. Segundo a Meteored, a precipitação poderá estender-se de norte a sul, embora ainda existam incertezas quanto à sua intensidade e distribuição.
À medida que a depressão se aproxima da Península Ibérica, o vento poderá também ganhar intensidade. A agitação marítima deverá acompanhar esta evolução, sendo possível um agravamento das condições no litoral português.
Depressão de 988 hPa poderá aproximar-se de Portugal na segunda-feira
O cenário que merece maior atenção surge na segunda-feira, 9 de novembro. As projeções do modelo europeu indicam que o centro da depressão poderá posicionar-se relativamente próximo da costa ocidental da Península Ibérica, a noroeste de Portugal.
Alguns cenários apontam para uma pressão atmosférica próxima dos 988 hPa no centro do sistema, um valor associado a uma depressão profunda. No entanto, esta previsão ainda não é definitiva e poderá sofrer alterações nas próximas atualizações dos modelos meteorológicos.
Caso a depressão siga uma trajetória favorável à entrada de frentes atlânticas em Portugal, poderão ocorrer períodos de chuva mais persistente e, por vezes, intensa, acompanhados por rajadas de vento mais fortes e um aumento significativo da ondulação.
A Meteored sublinha, contudo, que pequenas alterações na posição e intensidade da depressão poderão modificar os efeitos sentidos em território nacional. Por esse motivo, ainda não é possível determinar quais serão as regiões mais afetadas.
Mau tempo poderá prolongar-se até 13 de novembro
A instabilidade poderá não terminar com a passagem da depressão no início da semana. Entre terça-feira, dia 10, e sexta-feira, dia 13, as projeções continuam a mostrar uma circulação atmosférica favorável à chegada de novas frentes e períodos de precipitação.
Este cenário poderá traduzir-se em vários dias de chuva, embora não signifique que estará a chover continuamente. Poderão ocorrer abertas entre a passagem das diferentes frentes, com períodos de melhoria temporária das condições meteorológicas.
A previsão para a segunda metade da próxima semana apresenta, contudo, um grau de incerteza considerável. A trajetória dos sistemas depressionários e a distribuição da precipitação poderão sofrer alterações importantes, pelo que ainda é prematuro avançar com valores acumulados de chuva ou identificar as regiões mais castigadas.
Para já, a principal tendência apontada pelo modelo europeu é o regresso de um padrão atmosférico mais húmido e instável a Portugal continental. Depois de várias semanas de tempo predominantemente seco, os portugueses poderão ter de voltar a contar com o guarda-chuva durante vários dias, sendo aconselhável acompanhar as atualizações das previsões e os eventuais avisos do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
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