A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) confirmou este sábado, 24 de outubro, um ciberataque ao sistema de Recenseamento Nacional de Bombeiros Portugueses (RNBP), que permitiu o acesso não autorizado a dados pessoais. A aplicação foi entretanto suspensa e as autoridades estão a reforçar as medidas de segurança.
De acordo com a agência Lusa, o ataque informático comprometeu uma base de dados que contém cerca de 60 mil registos, incluindo informações pessoais e documentos de identificação dos bombeiros portugueses.
Perante a situação, a Proteção Civil enviou uma comunicação interna aos corpos de bombeiros e às respetivas entidades responsáveis, alertando para possíveis tentativas de fraude através de chamadas telefónicas, mensagens e outras comunicações suspeitas.
Nomes, moradas e números de identificação entre os dados acedidos
Segundo a informação a que a Lusa teve acesso, os piratas informáticos conseguiram aceder a vários tipos de dados pessoais armazenados no sistema.
Entre as informações potencialmente comprometidas encontram-se nomes completos, números do Cartão de Cidadão, identificação fiscal, números da Segurança Social e de utente do Serviço Nacional de Saúde.
A lista inclui ainda dados relativos a subsistemas de saúde, cartas de condução, estado civil, datas de nascimento, contactos telefónicos, moradas, fotografias e grupos sanguíneos.
Apesar da dimensão da informação envolvida, o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, António Nunes, esclareceu que a aplicação não contém dados bancários.
Proteção Civil alerta para mensagens e chamadas fraudulentas
Na sequência do ataque, a ANEPC pediu aos bombeiros que mantenham uma atenção redobrada perante contactos inesperados que solicitem informações pessoais ou o acesso a páginas eletrónicas.
O alerta abrange diferentes modalidades de fraude informática, incluindo o phishing, que utiliza mensagens aparentemente legítimas para levar as vítimas a abrir ligações ou ficheiros maliciosos.
Também são identificados riscos de smishing, através de SMS fraudulentas, e de vishing, quando os criminosos recorrem a chamadas telefónicas para tentar obter informações confidenciais.
Outra das ameaças mencionadas é o quishing, um método que utiliza códigos QR maliciosos para encaminhar os utilizadores para páginas falsas.
Bombeiros devem confirmar contactos junto dos comandos
A Proteção Civil recomenda que qualquer comunicação suspeita seja confirmada diretamente junto da estrutura de comando do respetivo corpo de bombeiros, através dos canais habituais.
A ANEPC esclarece que as comunicações institucionais dirigidas aos bombeiros, nomeadamente para atualização de dados pessoais ou transmissão de informações, são normalmente efetuadas através das estruturas de comando.
Por esse motivo, os profissionais devem desconfiar de mensagens inesperadas que solicitem o preenchimento de formulários, a divulgação de dados pessoais ou o acesso a ligações desconhecidas.
Sistema com cerca de 60 mil registos foi suspenso
O Recenseamento Nacional de Bombeiros Portugueses é utilizado para gerir a informação dos profissionais integrados nos quadros de comando, ativo, de reserva e de honra.
Segundo António Nunes, o sistema conta com aproximadamente 60 mil registos, embora esse número não permita determinar quantas pessoas tiveram efetivamente os seus dados comprometidos.
O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses considerou ainda que a informação sobre o ataque deveria ter sido comunicada individualmente a todos os elementos inscritos na plataforma.
Entretanto, a aplicação foi suspensa e estão em curso procedimentos destinados a reforçar a segurança informática e a proteção dos dados pessoais.
A ANEPC garante que continuará a desenvolver as diligências necessárias para proteger os seus sistemas e preservar a confiança dos bombeiros nos canais oficiais de comunicação.
Para já, a principal recomendação passa por manter a vigilância perante contactos suspeitos, uma vez que os dados obtidos no ataque poderão ser utilizados em tentativas de fraude ou de usurpação de identidade.
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