O mercado imobiliário português continua a registar aumentos significativos, tornando a compra de habitação um desafio cada vez maior para muitas famílias. Os dados mais recentes revelam que os preços voltaram a subir em outubro, atingindo um valor nunca antes registado na série analisada, com aumentos particularmente expressivos em várias capitais de distrito.
De acordo com o índice de preços do idealista, divulgado esta segunda-feira, 2 de novembro, os preços das casas anunciadas para venda em Portugal aumentaram 7,5% em outubro, comparativamente ao mesmo mês de 2025. O valor mediano nacional atingiu os 3.249 euros por metro quadrado, estabelecendo um novo máximo histórico. Em termos trimestrais, a subida foi de 1,2%.
Faro está entre as cidades onde os preços mais aumentaram
Uma das conclusões do relatório é que os preços das casas à venda subiram nas 20 capitais de distrito e regiões autónomas analisadas, embora com diferenças significativas entre cidades.
Vila Real liderou os aumentos anuais, com uma valorização de 20,3%, seguida da Guarda, com 18,4%, e de Beja, com 17,6%. Leiria registou uma subida de 16,9%, enquanto Faro completou o grupo das cinco cidades com maiores aumentos, com uma valorização de 15,5% face a outubro do ano passado.
Outras cidades também apresentaram aumentos expressivos, nomeadamente Bragança (13,3%), Viseu (12,9%), Santarém (12,7%), Ponta Delgada (11,7%) e Castelo Branco (10,5%). Évora e Braga registaram subidas de 10,3% e 10,2%, respetivamente, enquanto Coimbra apresentou um crescimento de 9,5%.
Lisboa continua a ser a cidade mais cara para comprar casa
Apesar de ter registado uma das menores subidas anuais, Lisboa mantém-se no primeiro lugar entre as cidades onde comprar habitação exige um maior investimento. Na capital, o preço mediano das casas anunciadas atingiu os 6.248 euros por metro quadrado, quase o dobro do valor mediano nacional.
O Porto surge na segunda posição, com 4.339 euros por metro quadrado, seguido do Funchal, com 4.045 euros. Faro ocupa o quarto lugar, com um preço mediano de 3.944 euros por metro quadrado, ultrapassando Setúbal, onde o valor se situa nos 3.227 euros.
Para perceber a dimensão destes valores, uma habitação com 100 metros quadrados anunciada ao preço mediano de Faro teria um valor de 394.400 euros. Em Lisboa, um imóvel com a mesma área representaria um investimento de 624.800 euros, sem considerar impostos e outras despesas associadas à aquisição.
Há cidades onde ainda é possível encontrar preços mais baixos
Apesar da tendência generalizada de subida, continuam a existir diferenças consideráveis entre as várias regiões do país. Castelo Branco mantém-se como a capital de distrito mais acessível entre as analisadas, com um preço mediano de 1.119 euros por metro quadrado.
Portalegre surge logo a seguir, com 1.128 euros, enquanto Bragança apresenta um valor de 1.147 euros por metro quadrado. Na Guarda, o preço mediano situa-se nos 1.153 euros, apesar de a cidade ter registado uma das maiores valorizações percentuais do último ano.
Também Vila Real (1.551 euros), Beja (1.573 euros), Viseu (1.822 euros) e Santarém (1.846 euros) apresentam valores inferiores a 2.000 euros por metro quadrado. Estes números demonstram que, embora os preços estejam a aumentar em todo o território, a localização continua a ter um peso determinante no custo de aquisição de uma habitação.
Algarve é a segunda região mais cara de Portugal
A análise regional confirma que o Algarve continua a destacar-se pelos preços elevados da habitação. Segundo o idealista, o preço mediano das casas anunciadas na região atingiu os 4.231 euros por metro quadrado em outubro, depois de uma subida anual de 7,2%.
Este valor coloca o Algarve na segunda posição entre as regiões mais caras do país, apenas atrás da Área Metropolitana de Lisboa, onde o preço mediano chegou aos 4.525 euros por metro quadrado. A Região Autónoma da Madeira ocupa o terceiro lugar, com 3.779 euros.
A título de exemplo, uma casa com 100 metros quadrados anunciada ao preço mediano regional do Algarve teria um valor de 423.100 euros. Trata-se de um cálculo ilustrativo, uma vez que os preços variam consoante o concelho, a localização, o estado de conservação e as características de cada imóvel.
Alentejo lidera aumentos e Centro continua a ser a região mais barata
Embora o Algarve apresente um dos preços mais elevados do país, não foi a região onde as casas mais valorizaram no último ano. Essa posição pertence ao Alentejo, que registou uma subida anual de 14,3%, seguido da Região Autónoma dos Açores, com 13,9%, e do Centro, com 12,5%.
A Área Metropolitana de Lisboa apresentou um aumento de 6,8%, enquanto a Madeira registou uma valorização de 4,2%. O Norte foi a região com a subida mais moderada, de 3,8%, mantendo-se, ainda assim, a tendência de crescimento dos preços.
Em valores absolutos, o Centro continua a ser a região mais acessível para comprar habitação, com um preço mediano de 1.810 euros por metro quadrado. Seguem-se os Açores, com 2.141 euros, o Alentejo, com 2.228 euros, e o Norte, com 2.601 euros.
Comprar casa continua a representar um desafio para as famílias
Os dados divulgados pelo idealista mostram que o mercado imobiliário português mantém uma trajetória de valorização, com aumentos registados em todas as regiões e capitais analisadas. A evolução dos preços representa uma pressão adicional para quem pretende adquirir habitação, sobretudo nas zonas onde os valores já se encontram significativamente acima da média nacional.
Importa, contudo, distinguir os preços anunciados dos valores efetivamente pagos nas transações imobiliárias. O índice do idealista acompanha os preços pedidos pelos proprietários nos anúncios publicados na plataforma, pelo que os resultados não representam necessariamente os preços finais de venda. Ainda assim, o novo máximo histórico de outubro evidencia a persistência de preços elevados no mercado habitacional português.
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