O presidente do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) questionou se a sociedade atual está disponível para os sacrifícios feitos pelas gerações anteriores para conseguir casa. Benjamim Pereira falava aos jornalistas em Vila Nova de Gaia, esta quinta-feira, 22 de outubro.
Nas declarações divulgadas pela RTP, afirmou “não sei se a sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício” dos pais e avós. A intervenção surgiu a propósito das manifestações pela habitação.
Recordou familiares, mas negou apelo à emigração
O responsável lembrou que os avós emigraram para o Brasil e a Argentina e que o pai esteve emigrado durante 20 anos. Questionado sobre se defendia essa opção para os jovens, negou estar a fazê-lo.
Benjamim Pereira sugeriu a organização em cooperativas e um esforço coletivo. Ressalvou que fazia um apelo, sem pretender criticar os jovens. Considerou legítimas as manifestações, mas classificou a crise como estrutural, cuja resolução não acontecerá nos próximos anos.
Estudantes contestam comparação entre gerações
A Federação Académica de Lisboa (FAL) reagiu às declarações, classificando-as como “profundamente infelizes”. Num comunicado assinado pelo presidente Pedro Neto Monteiro, a organização rejeitou que os sacrifícios exigidos aos jovens para aceder à habitação sejam tratados como normais.
Para a federação, o debate deve centrar-se nas condições que Portugal oferece a quem procura estudar, trabalhar e construir uma vida autónoma. A FAL questionou por que razão tantos jovens continuam sem conseguir encontrar uma casa compatível com os seus rendimentos, apesar de cumprirem essas responsabilidades.
A organização defendeu ainda que os esforços das gerações anteriores devem servir de incentivo para reduzir os obstáculos enfrentados pelas seguintes. Considerou particularmente preocupante que a comparação tenha partido do presidente do IHRU, de quem espera respostas concretas para a crise habitacional.
Ministro pediu explicações ao IHRU
O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, também se distanciou das declarações. Segundo a RTP, em declarações à TVI, classificou a intervenção como infeliz e afirmou que o Governo tem procurado criar condições para os jovens permanecerem em Portugal.
O governante disse já ter pedido explicações ao IHRU, embora tenha recusado decidir sobre a confiança política no responsável durante a intervenção televisiva.
Entretanto, o deputado único do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo, pediu a demissão de Benjamim Pereira e requereu a sua audição urgente no Parlamento.
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