Jorge Jesus afirmou, na sexta-feira, 6 de novembro, que pretendia convocar Cristiano Ronaldo para os próximos jogos de Portugal. Na primeira convocatória anunciada após a renúncia do avançado, o selecionador rejeitou sentir-se responsável pela decisão, embora tenha admitido que poderá ter acelerado a saída.
“Se calhar, apressei as coisas”
Questionado sobre a possibilidade de ter provocado a despedida de Ronaldo, Jesus admitiu: “Se calhar, apressei as coisas”. Recusou, porém, assumir a responsabilidade pelo fim do percurso do jogador na equipa nacional.
O treinador afirmou que “não me sinto culpado de nada” e defendeu que as suas opções foram tomadas a pensar nos interesses da equipa portuguesa. Sobre a possibilidade de ter agido de outra forma, respondeu: “Não mudava nada, zero”.
Jesus acrescentou que respeita a decisão do avançado e a importância que mantém na história do futebol português.
Ronaldo continuava nos planos para novembro
O selecionador explicou que contava incluir o avançado na lista para os encontros com a Dinamarca e o País de Gales. A renúncia, anunciada através de um vídeo na quinta-feira, alterou essa intenção.
Segundo Jesus, só tomou conhecimento da decisão quando o anúncio se tornou público. Até à divulgação do vídeo, continuava a considerar Ronaldo uma opção para a convocatória.
O treinador afirmou também que não havia ressentimento em relação ao jogador e reiterou que as decisões desportivas tinham sido tomadas em função da equipa.
Despedida surgiu depois da saída do estágio
O anúncio de Ronaldo aconteceu depois do episódio que marcou a concentração da Seleção no final de setembro. O avançado abandonou o estágio em Copenhaga, antes do encontro com a Dinamarca.
Na sequência da saída, o jogador acusou Jesus de lhe ter faltado à palavra mais do que uma vez. O Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol aplicou-lhe uma suspensão de 30 dias e uma multa de 255 euros.
A suspensão terminava antes dos compromissos de novembro, pelo que não impedia uma nova convocatória.
Jesus já tinha pedido ao avançado para continuar
Na quinta-feira, em declarações ao Canal 11, reproduzidas pela RTP, o selecionador revelou que tinha procurado prolongar a ligação de Ronaldo à equipa nacional.
“Pedi-lhe para continuar comigo”, afirmou Jesus, explicando que queria contar com a presença do avançado. Perante a decisão de terminar a carreira internacional, disse ter de a aceitar.
O treinador destacou ainda o significado de Ronaldo para os adeptos e para as gerações mais jovens, considerando que continuará a ser uma referência do futebol português.
Portugal prepara dois jogos sem o antigo capitão
O calendário divulgado pela Federação Portuguesa de Futebol prevê a receção à Dinamarca, em Braga, a 14 de novembro, e a deslocação ao País de Gales, em Cardiff, no dia 17.
A Associação de Futebol do Algarve também assinalou a despedida de Ronaldo, recordando os seus 234 jogos e 146 golos pela Seleção. A associação destacou a ligação à região, onde o avançado marcou 16 golos ao serviço de Portugal.
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