Um prato de um vaso, um balde esquecido no quintal ou uma piscina sem tratamento podem criar condições para a reprodução de mosquitos. Com a presença do mosquito-tigre identificada em 40 concelhos portugueses, segundo dados da Direção-Geral da Saúde divulgados pelo Jornal de Notícias esta sexta-feira, 16 de outubro, a prevenção começa também nos pequenos cuidados em casa.
A espécie Aedes albopictus pode transmitir vírus responsáveis por doenças como dengue, zika e chikungunya. Porém, encontrar este mosquito não significa que esteja infetado ou que exista transmissão de doença. A Direção-Geral da Saúde sublinha a importância de eliminar os locais de reprodução e adotar medidas de proteção individual para reduzir os riscos.
Presença no Algarve é conhecida desde 2018
O mosquito-tigre foi identificado pela primeira vez em Portugal em 2017, na região Norte. No ano seguinte, foi detetado no Algarve e, em 2022, no Alentejo. A sua expansão também tem sido acompanhada noutros países do sul da Europa, incluindo Espanha, França e Itália.
A vigilância permite identificar as espécies presentes, acompanhar a sua distribuição e pesquisar agentes que possam causar doença. Este trabalho é desenvolvido através da Rede de Vigilância de Vetores, conhecida como REVIVE, com a participação do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge e das autoridades de saúde.
Deteção do mosquito não equivale a transmissão de dengue
No relatório da DGS relativo à semana de 21 a 27 de setembro de 2026, as amostras de mosquitos exóticos ou invasores analisadas pelo Instituto Ricardo Jorge não apresentaram resultados positivos para agentes patogénicos.
O mesmo documento indica que os casos de doenças não endémicas transmitidas por mosquitos notificados nessa semana foram classificados como importados após investigação epidemiológica. Ou seja, a infeção foi adquirida fora do país.
Água parada merece atenção, mesmo em pequenas quantidades
As recomendações das autoridades passam por esvaziar, limpar e esfregar semanalmente pratos de vasos e outros recipientes que acumulem água. Baldes, latas e garrafas devem ser guardados ou virados para evitar que recolham chuva.
Também é aconselhado tapar depósitos e reservatórios, manter caleiras e sistemas de drenagem limpos e assegurar o tratamento das piscinas. Pneus deixados ao ar livre são outro dos locais que podem acumular água e favorecer a reprodução destes insetos.
Quem encontrar um mosquito que não reconhece pode contribuir para a vigilância através da aplicação Mosquito Alert ou do projeto MosquitoWeb, enviando uma fotografia e indicando a localização, conforme recomenda a DGS.
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