Um corte de eletricidade durante a noite pode levantar uma dúvida na manhã seguinte: será que tudo o que ficou dentro do frigorífico continua próprio para consumo? A resposta depende sobretudo da duração da falha, da temperatura atingida e do tipo de alimento, havendo produtos perecíveis que podem deixar de ser seguros quando permanecem demasiado tempo sem refrigeração adequada.
A Direção-Geral da Saúde (DGS) aponta que um frigorífico consegue manter a temperatura durante cerca de quatro horas sem eletricidade, desde que a porta permaneça fechada. No congelador, o período pode chegar às 48 horas se estiver cheio, descendo para aproximadamente 24 horas quando se encontra apenas a meia capacidade.
Quatro horas podem fazer a diferença
O primeiro cuidado durante uma falha elétrica é evitar abrir repetidamente as portas dos equipamentos. Cada abertura facilita a entrada de ar mais quente e acelera a subida da temperatura, reduzindo o período durante o qual os alimentos permanecem devidamente refrigerados.
Segundo a mesma fonte, os alimentos perecíveis merecem especial atenção. Carne, peixe, produtos lácteos e refeições já preparadas que tenham permanecido acima dos cinco graus durante mais de duas horas podem já não apresentar condições adequadas de segurança alimentar.
Carne, peixe e sobras estão entre os produtos a vigiar
Entre os alimentos que poderão ter de ser descartados encontram-se carne, peixe, marisco, moluscos, charcutaria, queijo fresco, requeijão, iogurtes, fruta cortada, hortícolas preparados, sobras e sopas. Contudo, a DGS aconselha a avaliar sinais de alteração ou degradação antes de tomar essa decisão.
Na carne, por exemplo, deve ser observada a existência de uma consistência mole ou viscosa, escurecimento, manchas ou odor desagradável. No peixe, os sinais incluem cheiro alterado e textura mole ou viscosa. Já os iogurtes podem apresentar embalagens inchadas ou odor anormal.
Não deve provar a comida para perceber se está boa
Um dos cuidados destacados pela Direção-Geral da Saúde é não provar um alimento apenas para verificar se continua próprio para consumo. Quando existem dúvidas sobre a sua segurança, a recomendação passa por não utilizar o sabor como método de avaliação.
A mesma fonte aconselha a rejeitar alimentos que apresentem cheiro, cor ou textura invulgares. Nas refeições prontas, como sopa ou restos de refeições anteriores, devem ser observadas alterações na consistência, libertação de líquido e odores desagradáveis ou fétidos.
Nem tudo precisa de ser deitado fora
Há, porém, produtos que resistem melhor a uma interrupção no fornecimento de eletricidade. A lista indicada pela DGS inclui queijos curados, leite ultrapasteurizado ainda fechado, fruta e hortícolas inteiros, sumos, manteiga, margarina, compotas e pastas de frutos oleaginosos.
Podem igualmente ser conservados molhos devidamente acondicionados, gelatinas e produtos de padaria ou pastelaria que não tenham cremes nem recheios. Assim sendo, um corte de energia não significa automaticamente que seja necessário esvaziar por completo o frigorífico.
E os ovos que estavam no frigorífico?
Os ovos constituem um caso particular. A DGS indica que podem ser mantidos após uma interrupção de energia, mas aconselha que sejam utilizados com a maior brevidade possível e sujeitos a um método de confeção que permita atingir temperaturas elevadas.
Um exemplo dado pela autoridade de saúde é a cozedura dos ovos. A recomendação pretende reduzir o risco associado a produtos que possam ter ficado sujeitos a variações de temperatura durante o período em que o frigorífico esteve sem eletricidade.
Congelador pode conservar os alimentos durante mais tempo
No caso dos alimentos congelados, o cenário pode ser diferente. Se, quando a eletricidade regressar, ainda apresentarem cristais de gelo ou estiverem tão frios como normalmente estariam num frigorífico, podem, na maioria das situações, ser cozinhados ou novamente congelados.
A DGS sublinha, contudo, que cada situação deve ser avaliada. Os produtos que não apresentem sinais de alteração podem ser utilizados rapidamente e confecionados através de métodos que permitam atingir temperaturas superiores a 75 graus. Se existir dúvida sobre o estado do alimento, a opção indicada é descartá-lo.
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