A série documental “Para Além do Cérebro”, dedicada à relação entre ciência e espiritualidade e exibida na RTP1, foi distinguida nos Cannes Corporate Media & TV Awards 2026. O trailer da produção conquistou o Silver Dolphin na categoria “Trailers and Teasers for Documentaries and Reports”.
O prémio foi anunciado a 24 de setembro, durante a gala realizada no Annex Beach Cannes, e recebido, em representação da Fundação Bial e da equipa responsável pela série, por Paula Guedes, secretária-geral da Fundação Bial, pelo jornalista Mário Augusto e pelo editor de vídeo André Banza.
Com o apoio da Fundação Bial, “Para Além do Cérebro” procura aproximar investigação científica e espiritualidade, explorando fenómenos relacionados com a consciência humana. Ao longo de 16 episódios, a produção aborda temas como telepatia, precognição, psicocinese, experiências de quase morte, mediunidade, evocação de supostas vidas passadas, meditação e expansão da consciência.
Fundação Bial destaca reconhecimento internacional
O presidente da Fundação Bial, Luís Portela, considera que a distinção representa o reconhecimento do trabalho desenvolvido em torno de algumas das questões mais complexas relacionadas com a consciência humana.
“”Para Além do Cérebro” nasceu da vontade de olhar, com abertura e rigor, para algumas das questões mais desafiantes sobre a consciência humana e de dar a conhecer o trabalho de investigadores que há décadas as estudam. Ver este projeto reconhecido internacionalmente é uma satisfação e um estímulo para apoiar a investigação científica em parapsicologia e em neurociências, bem como o cruzamento entre as duas áreas”, afirma Luís Portela.
A produção foi filmada em vários países e integra entrevistas a mais de 50 investigadores e especialistas das áreas da física, psicologia, psiquiatria, neurociências e parapsicologia, ligados a instituições como a Universidade de Liège, a Universidade da Virgínia e o King’s College London.
Série procurou abordar temas controversos com rigor científico
Nuno Sousa, neurocientista responsável pela orientação científica da série, sublinha que um dos objetivos passou por abordar matérias que frequentemente suscitam dúvidas e ceticismo, mantendo uma abordagem assente na evidência e no confronto entre diferentes perspetivas.
“Um dos grandes méritos desta série foi abordar temas que suscitam naturalmente dúvidas e ceticismo sem abdicar dos princípios que devem orientar qualquer discussão científica: olhar para a evidência, confrontar diferentes perspetivas e reconhecer aquilo que sabemos e aquilo que ainda não sabemos. Reunir investigadores de diferentes áreas e instituições permitiu mostrar precisamente a ciência como um processo em permanente construção”, afirma Nuno Sousa.
“Para Além do Cérebro” é conduzida por Luís Portela e Mário Augusto, com realização de Ricardo Freitas, produção executiva de Mário Augusto, coordenação de projeto de Paula Campos, produção de Pedro Sousa e Andreia Santos e edição de André Banza. A série estreou na RTP1 a 12 de maio, sendo os 16 episódios também disponibilizados na RTP Play.
Mário Augusto considera que o projeto permitiu transformar temas complexos em conteúdos televisivos acessíveis sem perder o rigor.
“A partir dos livros publicados pelo Dr. Luís Portela, que nos deram uma sólida base científica, havia aqui um desafio particularmente interessante para televisão e que nunca tinha sido abordado desta forma: pegar em temas complexos, muitas vezes vistos como marginais, e torná-los acessíveis sem os simplificar em excesso”, afirma o jornalista e produtor executivo.
“O reconhecimento em Cannes mostra que é possível contar ciência de forma rigorosa e, ao mesmo tempo, criar televisão capaz de despertar curiosidade e chegar a públicos muito diferentes, deixando os espectadores a refletir sobre as questões abordadas, mesmo os mais céticos. Pelo impacto que a série teve e, agora, com este reconhecimento, valeu mesmo a pena avançar com este projeto”, acrescenta.
Cannes distinguiu 182 produções com Troféus Dolphin
Os Cannes Corporate Media & TV Awards distinguem anualmente produções audiovisuais corporativas e documentais de diferentes países. Segundo o comunicado, as candidaturas são avaliadas por um júri internacional independente composto por vencedores de Óscares e Emmy e por especialistas das áreas da comunicação, marketing, media e indústria audiovisual.
Na edição de 2026, “Para Além do Cérebro” foi distinguida na categoria “Trailers and Teasers for Documentaries and Reports”. O comunicado refere que o Silver Dolphin reconhece internacionalmente um projeto que procurou levar à televisão, de forma rigorosa e acessível, áreas de investigação científica habitualmente afastadas do grande público.
Este ano, a competição contou com um número recorde de 63 categorias. Ao todo, 253 produções de 38 países chegaram à shortlist e 182 receberam Troféus Dolphin.
Veja aqui o trailer vencedor.















