A falta de condições anímicas foi a explicação que Cristiano Ronaldo deu a Pedro Proença para não continuar no estágio da Seleção Nacional. O capitão comunicou a decisão por telefone, depois de abandonar o estádio em Copenhaga, segundo o acórdão do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), divulgado a 19 de outubro.
O episódio aconteceu a 30 de setembro, quando Portugal preparava o encontro com a Dinamarca para a Liga das Nações. Dias antes, Ronaldo tinha sido suplente não utilizado frente à Noruega, apesar de ter passado parte da segunda metade a aquecer. Posteriormente, o jogador acusou Jorge Jesus de lhe ter faltado à palavra.
A chamada aconteceu depois de sair do estádio
Os factos considerados provados indicam que Ronaldo deixou o Estádio Parken antes do treino oficial, marcado para as 18 horas. Também não compareceu ao jantar da equipa, previsto para as 20h30 no hotel onde a comitiva estava instalada.
A saída ocorreu por iniciativa do jogador, que não comunicou nem justificou previamente a intenção de abandonar o estádio e o estágio aos responsáveis federativos ou da Seleção.
Só depois de sair telefonou ao presidente da FPF. Durante essa conversa, informou Pedro Proença de que “não se encontrava em condições anímicas para continuar integrado no estágio da Seleção Nacional”, descreve o acórdão.
Explicação não foi aceite como justificação para o abandono
O Conselho de Disciplina entendeu que os motivos apresentados ao presidente da Federação e, mais tarde, publicamente não justificavam o abandono dos trabalhos. Considerou ainda que Ronaldo conhecia as suas obrigações e agiu de “forma livre, consciente e voluntária”.
O documento sublinha também as responsabilidades acrescidas do jogador enquanto capitão, nomeadamente perante os colegas e a equipa técnica. A saída ocorreu na véspera de um encontro e Ronaldo não regressou para o jogo seguinte.
Numa mensagem divulgada a 6 de outubro, o avançado assumiu a responsabilidade pelo abandono, pediu desculpa aos adeptos e aos companheiros e defendeu que a sua atitude devia ter consequências disciplinares.
Suspensão permite um eventual regresso em novembro
O processo terminou com uma suspensão de 30 dias e uma multa de 255 euros. A ausência de antecedentes disciplinares, a confissão dos factos e o percurso desportivo do jogador foram considerados na determinação do castigo.
À data da decisão, foram descontados 19 dias de suspensão preventiva, pelo que restavam 11 por cumprir.
Assim, o castigo estará cumprido antes dos próximos compromissos de Portugal: frente à Dinamarca, a 14 de novembro, em Braga, e ao País de Gales, a 17, em Cardiff. O eventual regresso dependerá da convocatória de Jorge Jesus.
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