O presidente do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) admitiu, esta sexta-feira, 23 de outubro, que não se expressou da melhor forma ao comparar os sacrifícios das gerações atuais com os dos seus pais e avós para conseguir casa.
Numa nota enviada às redações, citada pela RTP, Benjamim Pereira reconheceu: “Aceito não ter sido feliz”. O responsável rejeitou, porém, ter desvalorizado as dificuldades dos jovens no acesso à habitação.
Recusa exigir os sacrifícios do passado
No esclarecimento, afirmou que “não se pode exigir aos jovens de hoje os sacrifícios de outrora”. Explicou que evocou a experiência familiar com tristeza e sem saudosismo, defendendo que Portugal deve ter melhorado essas condições em mais de 50 anos de democracia.
Negou também ter defendido a emigração como solução para os jovens e reafirmou o respeito pelo direito à manifestação e a compreensão pelas exigências dos participantes.
A comparação que esteve na origem da polémica
As palavras que desencadearam a controvérsia foram proferidas na quinta-feira, 22 de outubro, em Vila Nova de Gaia, durante uma sessão sobre a proposta do Plano Diretor Municipal. Benjamim Pereira questionou se a sociedade atual estaria disponível para o mesmo nível de sacrifício das gerações anteriores para ter casa.
Para ilustrar a comparação, recordou que os avós emigraram para o Brasil e para a Argentina e que o pai passou 20 anos no estrangeiro. Questionado pelos jornalistas, ressalvou, na altura, que não estava a sugerir aos jovens que fizessem o mesmo.
O presidente do IHRU apelou ainda à organização de cooperativas de habitação, à semelhança do que aconteceu no passado. Apresentou essa sugestão como um apelo ao envolvimento de todos na procura de soluções para a crise habitacional.
Pinto Luz pediu explicações
O esclarecimento surge depois de o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, se ter demarcado das declarações do responsável pelo instituto.
Numa entrevista ao Jornal Nacional da TVI, na noite de quinta-feira, o governante considerou as palavras infelizes e afirmou: “Não me revejo nessas declarações”.
Pinto Luz adiantou que já tinha pedido explicações ao IHRU, mas recusou retirar a confiança política ao seu presidente em direto na televisão.
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