Uma situação de emergência pode deixar milhares de pessoas sem eletricidade, água potável ou acesso imediato a serviços essenciais. Perante este cenário, as autoridades europeias consideram fundamental que cada família disponha de meios suficientes para enfrentar os primeiros dias sem depender exclusivamente dos serviços de socorro.
A recomendação foi apresentada esta terça-feira, 3 de novembro, pela Comissão Europeia, durante o Fórum da Proteção Civil Europeia, realizado em Bruxelas. O objetivo é incentivar os Estados-membros a sensibilizarem as populações para a importância de terem um kit de emergência que permita garantir autonomia durante, pelo menos, 72 horas.
Segundo a Lusa, a medida integra um conjunto de recomendações não vinculativas destinadas a melhorar a preparação dos cidadãos perante catástrofes naturais e outras situações de crise. Isto significa que, para já, não existe uma obrigação legal de adquirir ou preparar estes equipamentos.
Porque é que Bruxelas recomenda um kit para 72 horas?
A Comissão Europeia explica que as primeiras 72 horas após uma catástrofe são particularmente importantes, uma vez que os sistemas nacionais de resposta podem encontrar-se sob uma pressão significativa.
Durante este período, os serviços de emergência podem ter dificuldades em chegar a todas as pessoas afetadas, sobretudo quando existem estradas cortadas, falhas nas comunicações ou danos nas infraestruturas essenciais.
Por esse motivo, o executivo comunitário considera importante que os cidadãos tenham condições para assegurar as suas necessidades básicas durante três dias, permitindo que as equipas de socorro concentrem os esforços nas situações mais urgentes.
O que deve ter dentro do kit de emergência?
Entre os produtos recomendados pela Comissão Europeia encontram-se alimentos que possam ser consumidos sem necessidade de preparação, água suficiente para beber, cozinhar e assegurar a higiene pessoal, medicamentos essenciais e material de primeiros socorros.
O equipamento deve incluir também uma lanterna e um rádio alimentado a pilhas, permitindo acompanhar informações oficiais mesmo quando existem falhas no fornecimento de eletricidade ou nas redes de comunicações.
A composição do kit deve ser adaptada às necessidades de cada agregado familiar, tendo em consideração o número de pessoas, a existência de crianças, idosos ou pessoas com doenças crónicas e eventuais necessidades específicas.
Escolas também devem preparar crianças para situações de emergência
As recomendações europeias não se limitam à preparação individual das famílias. Bruxelas defende que os Estados-membros devem começar a integrar conteúdos relacionados com os riscos climáticos e a resposta a emergências nos programas da educação pré-escolar e do ensino básico.
A intenção é permitir que as crianças desenvolvam competências de prevenção e saibam como agir perante situações de perigo, através de atividades adequadas à idade e sem provocar medo ou ansiedade.
A Comissão Europeia recomenda igualmente formação específica para professores e outros profissionais da educação, de forma a garantir que estes conhecimentos possam ser transmitidos de maneira clara e acessível.
Pessoas com deficiência devem ser consideradas nos planos de emergência
Outro dos aspetos destacados pelo executivo comunitário está relacionado com a necessidade de tornar os mecanismos de preparação mais inclusivos.
A Comissão Europeia considera que as medidas adotadas pelos Estados-membros devem ter em conta as necessidades das pessoas com deficiência, incentivando a sua participação no planeamento das respostas a situações de crise.
O objetivo é evitar que determinados grupos da população fiquem mais vulneráveis perante catástrofes naturais, falhas prolongadas de serviços essenciais ou outras emergências.
União Europeia quer criar um dia dedicado à preparação para catástrofes
Além das recomendações sobre os kits de emergência, a Comissão Europeia propõe a criação do Dia Europeu da Preparação, que poderá começar a ser assinalado em 2027.
A data escolhida é 23 de outubro, dia em que foi estabelecido, em 2001, o Mecanismo Europeu de Proteção Civil. A iniciativa pretende incentivar os cidadãos e as comunidades a participarem ativamente na preparação para situações de emergência.
Citada no comunicado da Comissão Europeia, a comissária europeia para a Gestão das Crises, Hadja Lahbib, sublinha que as primeiras horas após uma catástrofe podem ser decisivas para proteger vidas.
A responsável defende que todos os cidadãos europeus devem conhecer os procedimentos necessários para proteger as suas famílias e ajudar outras pessoas, salientando que a preparação deve começar em casa, nas escolas e nas comunidades.
Para já, as orientações apresentadas por Bruxelas têm caráter de recomendação e não implicam qualquer obrigação de compra de equipamentos. Ainda assim, a Comissão Europeia pretende promover uma cultura de prevenção que permita às famílias enfrentar os primeiros três dias de uma emergência com maior segurança e autonomia.















