A falta de mão de obra em profissões como eletricista tem colocado em destaque a necessidade de atrair uma nova geração para estes ofícios. Álex, eletricista independente que tinha 29 anos quando deu uma entrevista ao NoticiasTrabajo, defende que parte da solução está também na forma como os profissionais mais experientes recebem e ensinam quem está a começar.
“Ter 40 anos no setor não significa fazer bem durante 40 anos”, afirmou o eletricista, numa declaração que pretende chamar a atenção para a necessidade de atualização dos próprios profissionais.
As declarações foram originalmente publicadas a 7 de dezembro de 2025, mas voltaram agora a ser destacadas pela imprensa espanhola no contexto da discussão sobre a falta de renovação geracional em vários ofícios.
Os primeiros meses podem afastar quem está a começar
Para Álex, contratar alguém sem experiência implica aceitar que essa pessoa não terá, desde o primeiro dia, a mesma produtividade de um trabalhador que exerce a profissão há vários anos.
É precisamente neste período que o papel dos profissionais mais experientes se torna fundamental. O eletricista defende que é necessário ter paciência e disponibilidade para transmitir conhecimentos aos novos trabalhadores.
Uma má experiência enquanto ajudante pode ter o efeito contrário ao pretendido. Se o recém-chegado não encontrar alguém disposto a ensinar-lhe a profissão, pode acabar por desistir ao fim de poucos meses, agravando ainda mais a dificuldade em encontrar trabalhadores qualificados.
O problema cria um desafio para as empresas. Ensinar exige tempo e significa que, numa primeira fase, o trabalhador mais novo poderá necessitar de acompanhamento constante antes de conseguir realizar determinadas tarefas de forma autónoma.
Experiência não dispensa atualização
Álex chama ainda a atenção para outro ponto: acumular décadas numa profissão não significa necessariamente que os métodos utilizados sejam os melhores.
É neste contexto que surge a frase sobre os 40 anos de experiência. Na sua perspetiva, os profissionais que ensinam as gerações mais novas também devem atualizar os conhecimentos e acompanhar a evolução das técnicas utilizadas no setor.
A entrada de trabalhadores mais jovens pode, por isso, trazer novas competências para profissões tradicionalmente associadas à experiência adquirida no terreno.
O eletricista considera igualmente que estes ofícios deveriam ser apresentados aos jovens mais cedo. Entre as suas propostas está a introdução de conhecimentos relacionados com eletricidade, climatização e funcionamento de uma habitação durante o percurso escolar.
Eletricista quer mais incentivos para quem escolhe a profissão
Outra das soluções defendidas passa pela criação de apoios económicos para quem pretende estudar eletricidade e por uma maior abertura das empresas à contratação de pessoas ainda sem experiência.
Na perspetiva de Álex, isso não significa baixar as exigências de qualificação. O objetivo passa antes por permitir que exista um verdadeiro período de aprendizagem até o novo profissional adquirir as competências necessárias.
O eletricista procura também contrariar a ideia de que estes trabalhos representam uma opção profissional inferior. Resolver uma avaria elétrica numa habitação, por exemplo, significa solucionar diretamente um problema que afeta o quotidiano de uma família.
Para Álex, garantir uma nova geração de eletricistas exige, assim, mais do que convencer jovens a entrar na profissão. É também necessário que encontrem profissionais dispostos a ensinar, empresas preparadas para lhes dar tempo para aprender e um setor capaz de atualizar a forma como trabalha.















