O Algarve está entre as regiões potencialmente mais afetadas por sismos de grande dimensão, juntamente com a Área Metropolitana de Lisboa, o Vale do Tejo e o Alentejo. A Proteção Civil apela à preparação da população, tanto para adotar comportamentos de autoproteção durante um abalo como para responder às dificuldades que possam surgir depois.
O alerta foi deixado por Carlos Mendes, diretor nacional de prevenção e gestão de riscos da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em declarações à Lusa esta quarta-feira.
“Tem sido aí que os sismos de grande dimensão se têm manifestado com consequências mais danosas no passado”, explicou, ressalvando que um abalo de grande dimensão poderá afetar todo o território continental.
Preparação deve incluir os minutos e as horas seguintes
“Importa ter presente que os sismos não têm hora marcada. Podem acontecer a qualquer momento”, afirmou Carlos Mendes.
O responsável sublinhou que não existe capacidade científica para prever a data e a hora de um sismo. Por isso, defende que a população esteja consciente dessa possibilidade e preparada para reagir.
Essa preparação não se limita ao momento do abalo. Deve abranger também os minutos e as horas seguintes, permitindo ajudar familiares e vizinhos, colaborar com o socorro e procurar evitar o pânico. Segundo Carlos Mendes, estar preparado permite a cada pessoa funcionar “como um agente colaborativo” na resposta à emergência.
Resistência dos edifícios não elimina todos os riscos
Questionado sobre a capacidade de Portugal para enfrentar um sismo de grande dimensão, o diretor da ANEPC reconheceu que nenhum país está totalmente preparado para um acontecimento dessa natureza. “Mesmo em países com um histórico mais frequente de sismos acabam sempre a ter alguns danos associados a sismos de grande dimensão”, observou.
Carlos Mendes referiu que Portugal dispõe de regulamentação sísmica relativamente recente para as construções, que permite uma maior resistência das habitações. Advertiu, contudo, que essa proteção não elimina todos os efeitos possíveis. “Mas mesmo que o edificado resista, o recheio dos edifícios e os acessos às estruturas podem ser afetados por um efeito sísmico. Não podemos excluir a possibilidade de haver fortes afetações, até porque muitos edifícios e muitas estruturas foram construídas ainda antes da regulamentação sísmica mais recente”, afirmou.
O responsável alertou também para consequências nas redes de fornecimento, nos serviços digitais e nos transportes, com impacto no funcionamento da sociedade e no quotidiano das populações.
As declarações foram prestadas a propósito do exercício público de sensibilização “A Terra Treme”, organizado pela ANEPC e agendado para 5 de novembro.
Segundo Carlos Mendes, a iniciativa tem contribuído, ao longo dos anos, para colocar “na agenda esta perceção da existência do risco sísmico” e despertar uma resposta coletiva que melhore os níveis de resistência.
O diretor reconheceu que existe uma consciência mais elevada dos potenciais efeitos de um sismo. Apontou os abalos recentes na Venezuela, no Panamá, na Colômbia e em Espanha como acontecimentos que voltam a trazer ao debate a vulnerabilidade portuguesa.
Ainda assim, ressalvou que uma cultura de segurança não se constrói de um dia para o outro e que persiste a “convicção de que só pode acontecer aos outros”. “Temos que pensar que a qualquer momento um sismo pode voltar a manifestar-se e pode ter consequências mais nefastas ou pode ser de dimensão mais reduzida e a preparação é a palavra-chave”, concluiu.
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