Nos dias 18 e 19 de março, tive a honra de participar, enquanto Embaixadora do Pacto Climático Europeu da União Europeia, no evento anual do Pacto, que decorreu na Comissão Europeia em Bruxelas e reuniu mais de 500 participantes. Durante dois dias intensos, este encontro proporcionou um espaço privilegiado de debate, colaboração e partilha de boas práticas no domínio da ação climática.
Este evento foi particularmente significativo por dar voz a uma ampla diversidade de intervenientes — desde cidadãos comprometidos até decisores políticos, passando por jovens, ativistas e académicos. A atmosfera foi marcada por um forte sentido de urgência, mas também de esperança e mobilização coletiva.
Liderança política e compromisso europeu
Um dos pontos altos do evento foi a conversa com Wopke Hoekstra, Comissário Europeu para o Clima, Net Zero e Desenvolvimento Sustentável. Nesta sessão os embaixadores tiveram a oportunidade de colocar perguntas diretas ao Comissário, num ambiente colaborativo. O Comissário reafirmou o compromisso da União Europeia com uma transição ecológica justa, sublinhando a necessidade de alinhar ambição climática com inclusão social. Foi também abordado o papel da União Europeia na liderança global do combate às alterações climáticas, num contexto internacional cada vez mais exigente.

Seguiu-se um painel liderado por Kurt Vandenberghe, Diretor-Geral da Direção-Geral de Ação Climática (DG CLIMA), onde se discutiram soluções práticas para assegurar que a transição verde não deixa ninguém para trás. Foram apresentados exemplos concretos e inovadores de medidas inclusivas pela comunidade do Pacto Climático, e ficou claro que a equidade deve estar no centro das políticas climáticas.
Entre os muitos projetos inspiradores apresentados neste painel, gostaria de destacar o trabalho da associação Banlieues Climat, uma organização que tem vindo a desempenhar um papel fundamental na inclusão das comunidades periféricas no debate climático.
Com sede em França, a Banlieues Climat tem como missão mobilizar, sensibilizar e inspirar as populações dos bairros mais desfavorecidos sobre as questões ambientais e climáticas. Através de ações de proximidade e de formação, esta associação procura dar visibilidade às vozes destas comunidades, muitas vezes ausentes das decisões políticas, e promover a emergência de projetos locais com impacto real.
Ao mesmo tempo, trabalha para reforçar o poder de ação dos habitantes, encorajando a sua participação ativa e consciente na construção de soluções sustentáveis. É um exemplo claro de como a justiça climática deve caminhar lado a lado com a justiça social.
O trabalho da Banlieues Climat recorda-nos que a transição ecológica só será bem-sucedida se for, de facto, inclusiva e enraizada na realidade de todos os territórios, especialmente daqueles que, historicamente, são deixados à margem.
Sessões temáticas e participação ativa da comunidade
O programa do evento foi diversificado e profundamente enriquecedor, oferecendo aos embaixadores a oportunidade de participar em várias sessões temáticas organizadas pela comunidade do Pacto Climático, incluindo:
• “Transformar objetivos globais em ação local”, onde se discutiram estratégias de adaptação às alterações climáticas ao nível municipal e regional;
• “Educação para um futuro sustentável”, onde se apresentaram e discutiram projetos pedagógicos inovadores;
• “Superar a ecoansiedade”, onde foram abordados os impactos psicológicos da crise climática e formas de os transformar em ação positiva;
• “A Ciência Cidadã ao serviço do Clima”, que se destacou o contributo da sociedade civil na recolha de dados e monitorização ambiental;
• “IA para a Ação Climática”, onde foram exploradas ferramentas tecnológicas para aumentar o envolvimento cívico e a eficácia das iniciativas locais;
• “Empreendedorismo Jovem”, que mostrou como as novas gerações estão a criar soluções de negócio sustentáveis;
• Workshop “Desenhar soluções: arte e banda desenhada para a ação climática”, que demonstrou como a expressão artística pode contribuir para a consciencialização ambiental.
Arte, cultura e mobilização emocional
Outro elemento distintivo deste encontro foi a presença da arte como instrumento de mobilização. Através de performances musicais, exposições fotográficas e banda desenhada, foi possível refletir sobre os desafios climáticos de forma sensível e acessível. Esta dimensão cultural trouxe uma energia muito própria ao evento, lembrando-nos que a mudança não é apenas técnica ou política, mas também emocional e simbólica.
Enquanto Embaixadora do Pacto Climático Europeu, regresso deste encontro profundamente inspirada e ainda mais consciente da responsabilidade que todos partilhamos. A transição climática exige não só políticas eficazes e inovação tecnológica, mas também empatia, educação, cultura e envolvimento cívico.
É fundamental que continuemos a construir pontes entre os diferentes sectores da sociedade, promovendo uma ação climática verdadeiramente inclusiva, ambiciosa e baseada em valores de justiça intergeracional. Este evento provou que a Europa tem a capacidade — e a vontade — de liderar este processo.
E nós, enquanto cidadãos, temos também um papel essencial a desempenhar.
- Por Vânia Serrão Sousa, embaixadora do Pacto Climático Europeu, investigadora e docente na UAlg Comunidade LIXARTE Algarve https://www.instagram.com/lixarte_alg/
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