A mobilização em Faro foi destacada pela porta-voz do movimento pela habitação, Cristiana Leal, num balanço em que classificou a semana de protestos no Porto como o “despertar de um povo”. Em declarações à Lusa no sábado, 17 de outubro, assegurou que o movimento continuará depois de terminar a autorização municipal para se manifestar na Praça D. João I.
“Em Faro também está a haver muita mobilização e eu acredito que vão ser grandes manifestações”, afirmou, sublinhando que “isto não é uma luta só do Porto, isto é uma luta do país inteiro”.
Questionada sobre as ações previstas para esse dia noutras cidades, a porta-voz referiu também informações positivas sobre a mobilização na Madeira e destacou os preparativos em Lisboa, tanto para a manifestação como para a acampada anunciada para depois.
Participantes recebidos com palmas na manifestação da CGTP
Cerca de uma centena de pessoas do movimento integrou a manifestação da CGTP, que reuniu milhares de participantes no Porto. A marcha partiu da Praça da Batalha e terminou na Praça D. João I, centro dos protestos pela habitação ao longo da semana.
À chegada, os elementos do movimento foram recebidos com palmas.
“Fomos recebidos com todo o carinho, as pessoas sabem que nós estamos a lutar pelo mesmo que elas, estamos todos a lutar pelo mesmo e é só isso que importa”, afirmou Cristiana Leal.
A porta-voz, identificada pela Lusa como uma das vítimas da carga policial que terminou com a acampada na madrugada de quinta-feira, considerou que a mobilização alcançada representa uma vitória.
“Nós, numa semana, conseguimos mobilizar todas estas pessoas, conseguimos que outras cidades se mobilizassem para se juntar a nós”, salientou.
Movimento quer prosseguir depois de 20 de outubro
Na mesma intervenção, Cristiana Leal apelou à participação na assembleia popular então agendada para as 19:00 de sábado, na Praça D. João I.
A autorização da Câmara do Porto para os protestos naquele espaço é válida até 20 de outubro, mas a porta-voz garantiu que o seu termo não determinará o fim do movimento.
“Este movimento começou e não vai parar, porque as condições de vida são as que são, ainda não mudaram e enquanto elas não mudarem o movimento não para”, declarou.
Caráter apartidário não impede aproximação a outras causas
Questionada sobre uma eventual associação a outras causas por ter participado na marcha da CGTP, Cristiana Leal respondeu que não se opõe a essa ligação quando estão em causa “a melhoria das condições de vida e o aumento dos salários”.
“Nós somos um movimento apartidário, mas os partidos são formados por pessoas e essas pessoas estão connosco e estão com o nosso movimento”, afirmou.
A porta-voz criticou ainda o presidente da Câmara do Porto, que acusou de ter “agredido e atacado” os manifestantes.
Apesar de participarem na marcha, os membros do movimento não foram autorizados a discursar, uma situação que Cristiana Leal desvalorizou. Depois de entoarem o hino nacional, os jovens gritaram “Pedro Duarte, demissão”.
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