Desde a Antiguidade que o ouro tem desempenhado um papel central nas civilizações humanas. Utilizado como símbolo de poder, moeda de troca, objeto de culto e reserva de valor, este metal precioso foi responsável por grandes expedições, guerras e impérios.
Das minas do Antigo Egito e da lendária riqueza do rei Midas, às explorações ibéricas na América do Sul em busca do mítico El Dorado, o ouro moldou rotas comerciais e estruturou sistemas económicos.
Ainda hoje, continua a ser um dos ativos mais cobiçados a nível mundial, tanto pelo seu valor intrínseco como pela sua importância estratégica.
A China anunciou a descoberta de um dos maiores depósitos de ouro da última década, numa altura em que a procura por este metal precioso continua a crescer tanto como reserva financeira como recurso industrial.
A nova jazida, localizada na província de Liaoning, poderá conter cerca de mil toneladas de ouro, segundo dados avançados pela imprensa local.
A confirmação oficial foi feita por geólogos chineses, que explicaram que o depósito se estende por mais de três quilómetros na direção leste-oeste e cerca de 2,5 quilómetros de norte a sul.
O avanço tecnológico na prospeção mineral tem sido um fator determinante para esta descoberta.
De acordo com o Unilad Tech, as autoridades chinesas têm vindo a investir em modelos tridimensionais e ferramentas de alta precisão, capazes de identificar reservas a profundidades cada vez maiores.
China lidera a produção mundial, mas quer mais
Apesar de liderar a produção mundial de ouro, com cerca de 380 toneladas extraídas por ano até 2024, a China ainda está atrás da África do Sul e da Austrália em termos de reservas conhecidas.
A descoberta em Liaoning poderá contribuir para alterar esse panorama, reforçando a posição chinesa na geopolítica dos recursos naturais.
Nos últimos meses, o país já havia revelado a existência de outro depósito significativo em Wangu, na província de Hunan, avaliado em cerca de 80 mil milhões de dólares (aproximadamente 74 mil milhões de euros).
Ambas as jazidas apontam para uma estratégia mais agressiva de expansão da capacidade mineira interna.
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Ouro: mais do que uma reserva de valor
O ouro mantém a sua relevância histórica como reserva de valor, especialmente em tempos de instabilidade económica.
No entanto, o seu papel não se limita aos mercados financeiros. Este metal é cada vez mais utilizado na indústria tecnológica, nomeadamente na produção de baterias, circuitos eletrónicos e dispositivos de comunicação.
A possibilidade de aceder a novas reservas internas pode reduzir a dependência chinesa de mercados externos e aumentar a sua autonomia em cadeias de valor estratégicas.
Extração pode demorar anos a arrancar
Apesar do entusiasmo, geólogos do World Gold Council apelam à cautela. Segundo os especialistas, é necessária uma verificação independente e a realização de mais perfurações antes de poder confirmar a viabilidade económica e ambiental da exploração comercial.
A estrutura geológica complexa e a profundidade do depósito — cerca de 1.600 metros — obrigam a um planeamento minucioso. A produção poderá demorar vários anos até entrar em funcionamento.
O futuro do ouro
Com esta nova descoberta, a China reforça o seu papel de protagonista na indústria do ouro, mas o impacto real dependerá do tempo necessário para iniciar a exploração e das condições do mercado internacional.
Certo é que, num contexto global cada vez mais volátil, o ouro continua a brilhar como um dos recursos mais estratégicos do século XXI.
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