Portugal tem atualmente cerca de 2.700 casas colocadas no mercado por valores superiores a três milhões de euros, num segmento em que o comprador chega sobretudo do estrangeiro. Britânicos, norte-americanos, alemães e brasileiros estão entre as nacionalidades com maior presença num mercado onde privacidade, sustentabilidade e eficiência energética começam também a ganhar peso na decisão.
De acordo com o portal de notícias Dinheiro Vivo, existem ainda aproximadamente 17.000 imóveis à venda por mais de um milhão de euros. Apesar dos números, Eva Peribáñez, diretora da divisão de arte e clientes privados da Hiscox Ibéria, considera que esta oferta é relativamente reduzida quando comparada com a dimensão global do mercado habitacional português.
Três regiões concentram 75% destas casas
Lisboa, Algarve e Porto reúnem cerca de três quartos da oferta nacional de habitações com preços superiores a um milhão de euros. A concentração ajuda a explicar porque determinadas zonas têm continuado a registar aumentos expressivos no valor das propriedades mais caras.
No segmento acima dos três milhões, Cascais registou uma subida média de preços de 13% e Sintra de 14,9%. No sul do país, Lagos avançou 13,5% e Loulé 11%, enquanto na Madeira a valorização indicada pela responsável da Hiscox chegou aos 21,7%.
Comprador vem sobretudo de fora de Portugal
O perfil dominante não é, contudo, o de um comprador nacional. Segundo Eva Peribáñez, a procura é atualmente maioritariamente internacional e tornou-se mais diversificada, não estando dependente apenas de programas de vistos ou de investimentos realizados com objetivos de curto prazo.
As motivações também variam. Há quem procure estas propriedades para residência permanente, quem pretenda uma segunda habitação e quem veja o imobiliário português como uma forma de diversificar ou preservar património. Britânicos, norte-americanos, alemães e brasileiros destacam-se entre os compradores mais ativos.
No Algarve os britânicos continuam em primeiro lugar
A presença estrangeira é particularmente visível no Algarve. Entre as transações internacionais acima de um milhão de euros, os compradores do Reino Unido representam 33,2%, mantendo uma vantagem significativa sobre as restantes nacionalidades mencionadas.
Os franceses surgem depois, com 19,3%, seguidos pelos alemães, com 8%, neerlandeses, com 5%, e suecos, com 4,8%. A mesma fonte refere que o valor médio das moradias unifamiliares de luxo no Algarve se mantém acima dos 4,5 milhões de euros desde 2017, tendo alcançado aproximadamente 5,13 milhões em 2025.
Há compradores mais jovens a entrar neste mercado
O mercado de luxo também está a passar por uma transformação geracional. Ao perfil tradicional, frequentemente ligado à compra de uma segunda residência ou à conservação de património, está a juntar-se uma geração mais jovem associada a setores como tecnologia, finanças e empreendedorismo internacional.
Estes compradores acrescentam novos critérios à escolha da casa. Privacidade e design continuam relevantes, mas sustentabilidade, eficiência energética e boas condições de conectividade assumem uma importância crescente nas propriedades de elevado valor, segundo a responsável da Hiscox.
Portugal continua mais barato do que outros mercados de luxo
O preço relativo é apontado como uma das razões para a capacidade de Portugal continuar a atrair compradores estrangeiros. Um estudo recente da Hiscox, citado pela publicação, concluiu que o valor médio do mercado residencial de luxo em Lisboa é aproximadamente 25% inferior ao encontrado em Paris ou Londres.
A diferença aumenta na comparação com Nova Iorque, onde os valores médios serão cerca de 45% superiores aos da capital portuguesa. Segurança, estabilidade, clima, qualidade de vida e ligações internacionais são outros fatores destacados por Eva Peribáñez para explicar a procura. Mesmo num mercado onde existem apenas cerca de 2.700 propriedades anunciadas acima dos três milhões de euros, Portugal continua, assim, a captar compradores internacionais interessados tanto em viver no país como em manter aqui parte do seu património.
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