Cristiano Ronaldo abandonou o estágio da Seleção Nacional em Copenhaga depois de vários dias de tensão em torno da sua utilização por Jorge Jesus. No centro da polémica está o jogo frente à Noruega, no qual o capitão português ficou no banco durante os 90 minutos, apesar de ter aquecido durante a segunda parte.
O Polígrafo recuperou as declarações dadas por Jorge Jesus em três conferências de imprensa e encontrou versões diferentes sobre aquilo que estava planeado para Cristiano Ronaldo nesta janela da Liga das Nações.
Antes da Noruega, Jorge Jesus dizia que ainda ia decidir
A primeira declaração relevante aconteceu a 26 de setembro, na véspera da deslocação à Noruega. Nessa altura, Jorge Jesus explicou que Cristiano Ronaldo tinha jogado 65 minutos frente ao País de Gales e que ainda iria avaliar se o avançado começaria o encontro seguinte como titular ou no banco.
O selecionador justificou a cautela com a idade do capitão, comparando-o com João Neves, e afirmou que o treino ajudaria a perceber qual seria a decisão. Ou seja, naquele momento, a utilização de Ronaldo frente à Noruega era apresentada publicamente como algo ainda em aberto.
Portugal acabou por vencer a Noruega por 2-1, mas Ronaldo não saiu do banco. Depois do encontro, Jorge Jesus deu uma nova explicação: a intenção inicial seria colocá-lo durante a segunda parte, mas a evolução da partida levou-o a mudar de ideias.
Acrescentou ainda que isso não significava que Ronaldo não pudesse jogar contra a Dinamarca. Pelo contrário, admitiu mesmo que o capitão poderia ser utilizado nessa partida.
Três dias depois surgiu uma versão diferente
A 30 de setembro, já na antevisão do jogo com a Dinamarca, Jorge Jesus apresentou uma explicação diferente.
O selecionador afirmou que tinha criado previamente um plano com Cristiano Ronaldo, semelhante ao que fizera com Bruno Fernandes, e que tinha dito ao capitão que não jogaria nem frente à Noruega nem frente à Dinamarca.
É aqui que surge a principal diferença entre as versões. Se existia desde o início um acordo para Ronaldo não jogar nenhum desses dois encontros, isso não coincide com aquilo que Jorge Jesus tinha dito antes do jogo da Noruega, quando afirmou que ainda iria decidir se o lançava de início ou no banco. Também entra em choque com as declarações dadas imediatamente após esse encontro, quando explicou que pretendia utilizá-lo na segunda parte e admitiu que poderia jogar contra a Dinamarca.
De “não há caso nenhum” a admitir que Ronaldo ficou zangado
A polémica aumentou durante a própria quarta-feira. Na conferência de imprensa, Jorge Jesus procurou desvalorizar o assunto, afirmando que não existia qualquer caso e garantindo que Cristiano Ronaldo nunca se tinha recusado a treinar. A RTP registou igualmente o selecionador a defender que Ronaldo continuava sujeito às mesmas regras dos restantes jogadores.
Pouco depois, porém, o treinador reconheceu que Ronaldo tinha ficado zangado consigo devido ao que aconteceu frente à Noruega. À Reuters, Jorge Jesus confirmou o desagrado do jogador, embora tenha considerado o assunto ultrapassado.
Ronaldo acabou por abandonar o estágio
A situação sofreu uma nova reviravolta ainda nesse dia. Cristiano Ronaldo deixou o estágio da Seleção em Copenhaga e, numa publicação nas redes sociais, explicou que tomou a decisão depois da conferência de imprensa de Jorge Jesus e de uma conversa com Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol.
O avançado afirmou que, no momento adequado, explicará aos portugueses os motivos da saída. A Federação confirmou entretanto que Ronaldo abandonou a concentração e que os trabalhos prosseguiriam com os restantes jogadores para os encontros com a Dinamarca e a Noruega. Reuters
Afinal, o que é possível concluir?
Neste momento, ainda não é possível saber toda a versão de Cristiano Ronaldo, uma vez que o jogador prometeu explicar posteriormente os motivos que o levaram a abandonar o estágio.
O que é possível confirmar pelas declarações públicas é que Jorge Jesus apresentou explicações que não coincidem totalmente entre si. Primeiro, disse que ainda avaliaria se Ronaldo seria titular ou suplente contra a Noruega; depois, afirmou que pretendia utilizá-lo na segunda parte e que poderia jogar frente à Dinamarca; três dias mais tarde, garantiu que já existia um plano para o capitão não jogar nenhum desses dois encontros.
Até Cristiano Ronaldo explicar a sua versão completa, fica por esclarecer exatamente aquilo que foi combinado entre jogador e selecionador antes dos encontros.
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