O município de Loulé é um dos 11 membros efetivos da Rede Projetos Artistas Emergentes, criada para ligar programas municipais de apoio à criação e aproximar jovens artistas de diferentes regiões. A iniciativa foi apresentada em 23 de outubro, em Alcanena, com propostas de formação, residências e oportunidades de participação remunerada.
Promovida pelo Gerador em parceria com o Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) e a MOVY, a rede pretende apoiar o desenvolvimento artístico e facilitar o contacto dos jovens com a atividade profissional, segundo a Lusa.
Formação gratuita e residências em Portugal e Espanha
O presidente do Gerador, Tiago Sigorelho, explicou que os participantes terão acesso a formação gratuita, residências artísticas e intercâmbios. Entre as primeiras iniciativas estão previstas residências em Lisboa e em Espanha.
A rede prepara também um encontro anual de artistas e equipas municipais, apontado para abril ou maio de 2027. Uma plataforma digital, prevista para fevereiro, divulgará os programas municipais e os criadores participantes, facilitando contactos com organizações culturais.
Os jovens poderão ainda participar em iniciativas e festivais promovidos pelo Gerador, recebendo remuneração por esse trabalho.
“Esses jovens vão ser remunerados por isso. É uma dimensão que nós, à partida, garantimos — eles têm um primeiro passo de participação na atividade profissional”, afirmou Tiago Sigorelho.
Rede quer chegar a pelo menos 25 municípios até ao final do ano
Além de Loulé, integram o grupo de membros efetivos municípios como Alcanena, Cascais, Funchal, Setúbal e Viana do Castelo.
Outros sete estão a formalizar a adesão, sendo o objetivo alcançar pelo menos 25 municípios até ao final de 2026.
O projeto prevê uma contribuição anual de 3.750 euros por município, complementada por outros apoios, e privilegia também os territórios de baixa densidade populacional.
Ministra defende oportunidades para primeiras obras
Na apresentação, a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, defendeu a criação de condições que permitam aos jovens desenvolver carreiras profissionais com estabilidade e possibilidades de crescimento.
“Aquilo que muitas vezes falta é, a estes talentos, aquela oportunidade do projeto, do trabalho, da obra, poder ter maior visibilidade”, afirmou.
A governante valorizou o cruzamento entre linguagens artísticas e recordou que a revisão do regime de apoio às artes, em agosto, contemplou um programa da Direção-Geral das Artes (DGArtes) destinado a primeiras obras e projetos.
“Temos de ter, também, um programa desenvolvido pela DGArtes para apoio a quem está, neste momento, a dar o primeiro passo e precisa daquela oportunidade”, declarou.
Boas práticas culturais das autarquias serão reunidas num inventário
Margarida Balseiro Lopes destacou o papel das autarquias no financiamento cultural e afirmou que o Orçamento da Cultura aumentou 120 milhões de euros em dois anos, garantindo um novo reforço em 2027.
O Governo pretende apresentar em dezembro um inventário nacional de boas práticas culturais autárquicas, a partir de uma consulta pública que decorre até ao final de outubro. A intenção é reunir projetos de municípios e freguesias, divulgar experiências bem-sucedidas e inspirar políticas adaptadas a cada território.
A ministra salientou ainda o Fórum Cultura, marcado para 14 e 15 de dezembro, na Figueira da Foz, dedicado ao tema Poder Local e Cultura, em articulação com a Associação Nacional de Municípios Portugueses.
Na sessão, o presidente da Câmara de Alcanena, Rui Anastácio, defendeu a criação artística e a descentralização cultural como instrumentos para atrair e fixar talento nos territórios que têm perdido jovens.
“Temos de criar espaços de reconhecimento e de criação de oportunidades a todo o talento, venha ele de onde vier”, afirmou.
A apresentação decorreu nos antigos escritórios da Fábrica Constantino Mota, integrados no Projeto Couros, dedicado à recuperação de património industrial para atividades culturais e criativas.
Leia também: Fátima Lopes apresenta percurso literário e fala de amor e relações humanas em Tavira















