Um automóvel elétrico ficou completamente destruído por um incêndio enquanto estava a carregar num parque de carregamento em Azurém, Guimarães, na quarta-feira, 4 de novembro. Apesar da intervenção dos bombeiros, as chamas consumiram a viatura, sem provocar feridos. Os incêndios que atingem as baterias dos veículos elétricos podem apresentar dificuldades acrescidas no combate e exigir procedimentos diferentes dos utilizados em automóveis a combustão.
De acordo com o Jornal de Notícias, o alerta foi dado perto das 13 h, num parque de carregamento situado nas traseiras do quartel dos Bombeiros Voluntários de Guimarães. Para o local foram mobilizados sete operacionais, apoiados por três viaturas. As causas do incêndio ainda não são conhecidas, pelo que não é possível estabelecer uma ligação entre a origem das chamas e uma eventual falha da bateria ou do sistema de carregamento.
Por que é que os incêndios em carros elétricos são diferentes?
A principal diferença está na tecnologia utilizada para armazenar energia. Enquanto os automóveis a gasolina ou gasóleo possuem depósitos de combustível, os veículos elétricos utilizam, na sua maioria, baterias de iões de lítio, que podem desencadear reações químicas difíceis de interromper quando sofrem determinadas falhas.
Segundo o portal especializado Razão Automóvel, estas baterias podem libertar grandes quantidades de calor em situações de sobreaquecimento, curto-circuito ou danos físicos. Quando ocorre um fenómeno conhecido como fuga térmica, o aumento da temperatura numa célula pode afetar as restantes, provocando uma reação em cadeia que dificulta o controlo das chamas.
Baterias podem voltar a incendiar-se depois de apagadas
Uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos bombeiros está relacionada com a possibilidade de reacendimento. Mesmo quando as chamas deixam de ser visíveis, o calor acumulado no interior da bateria pode continuar a alimentar reações químicas, criando condições para que surjam novos focos de incêndio.
Outro risco está associado à libertação de gases inflamáveis e tóxicos durante a combustão. Entre as substâncias que podem ser produzidas encontram-se o monóxido de carbono e o hidrogénio, o que exige cuidados adicionais durante as operações de socorro. Por isso, após a extinção das chamas, pode ser necessário continuar a monitorizar a temperatura da bateria.
Bombeiros podem utilizar grandes quantidades de água
Ao contrário da ideia de que a água não pode ser utilizada em incêndios de baterias de veículos elétricos, a National Fire Protection Association (NFPA), organização norte-americana especializada na prevenção e combate a incêndios, esclarece que este é um dos principais recursos utilizados pelos bombeiros. A água permite arrefecer a estrutura que envolve as baterias e contribuir para interromper a fuga térmica.
A mesma entidade explica que existe uma diferença entre o lítio metálico, que reage violentamente com a água, e as baterias de iões de lítio utilizadas nos automóveis elétricos. Os extintores de classe D destinam-se a determinados incêndios de metais combustíveis, não constituindo a solução habitual para controlar a fuga térmica de uma bateria automóvel. No entanto, a intervenção deve ficar a cargo de equipas especializadas, devido aos riscos elétricos, térmicos e químicos envolvidos.
Carros elétricos não têm necessariamente maior risco de incêndio
Apesar das dificuldades associadas ao combate às chamas, isso não significa que os veículos elétricos tenham maior probabilidade de se incendiar do que os automóveis com motores de combustão. A Razão Automóvel salienta precisamente a importância de distinguir a frequência destas ocorrências da complexidade que apresentam quando a bateria é afetada.
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