A Plataforma Algarvia de Confrarias (PAC) tem vindo a ganhar peso na representação dos 11 grémios gastronómicos e vínicos da região e na promoção de um património cultural que é parte da Dieta Mediterrânica, disse o coordenador-geral.
Gonçalo Mesquita, da Confraria Gastronómica da Serra do Caldeirão, foi escolhido para liderar a equipa de coordenação da PAC no início de fevereiro e explicou à agência Lusa que a estrutura, criada em 2020, visa que as confrarias algarvias se organizem ao nível de agenda e das participações nos eventos confrádicos que se realizam de Norte a Sul.
O responsável frisou que a plataforma não é uma entidade jurídica oficial e apresenta-se como um “movimento informal” para dar apoio às confrarias do Algarve, que na última década passaram de quatro para 11, existindo “dois núcleos de confrarias, que não são nativas do Algarve”, mas têm presença regional, como os da Moamba e do Vinho Verde.
“Com o aumento de responsabilidade e de trabalho desenvolvido pelas diferentes confrarias, nós, de uma forma gradual e natural, fomos também tendo alguma responsabilidade de participação e de valorização de todo o panorama confrádico do Algarve, que são mais do que grupos que se juntam à volta da mesa para degustar as iguarias de uma localidade ou região”, afirmou.
Além da participação em eventos e colóquios em representação das confrarias, a plataforma já está também a trabalhar para dar apoio às 11 estruturas regionais existentes e ajudar na criação de novas confrarias, salientou.
Gonçalo Mesquita adiantou que há quatro confrarias que podem ser criadas com o apoio da PAC e que representam “quatro identidades muito próprias do Algarve”, como a Batata-Doce de Aljezur, a da Laranja de Silves, o Polvo de Santa Luzia (Tavira) e o Sal de Castro Marim, elencou.
“Estamos a falar de quatro produtos que são quatro identidades regionais, vamos dar todo o apoio e esforçarmo-nos ao máximo para que essas confrarias sejam uma realidade o mais rápido possível”, disse ainda Gonçalo Mesquita, reconhecendo que algumas delas ainda estão em fase “embrionária” e a mais desenvolvida é a do Sal de Castro Marim.
Entre as confrarias representadas na PAC estão, entre outras, a da Serra do Caldeirão, a da Marinha da Ria Formosa, a da Sardinha de Portimão, a do Litão de Olhão, a do Atum de Vila Real de Santo António ou a do ‘Bacchus’ de Albufeira.
O dirigente da plataforma classificou as confrarias como promotoras do “desenvolvimento cultural”, da preservação e da valorização do “património gastronómico e vínico do Algarve” e salientou que, ao longo dos últimos anos, foi feito um trabalho para lhe dar visibilidade e esta ter cada vez mais “aceitação pelas entidades públicas” como representante de todas as confrarias algarvias.
“Se for para Portimão ou Vila Real [de Santo António] e quiser desenvolver alguma atividade, a aceitação que tenho de uma entidade regional acaba por ser diferente do que se for individualmente com a minha confraria [gastronómica da Serra do Caldeirão]”, exemplificou.
Atualmente, a PAC já começa a ser “reconhecida” e o seu trabalho “retribuído”, ao ser vista como “uma entidade organizada” que faz a defesa de todo o património gastronómico e vínico defendido pelas confrarias da região, considerou.
O objetivo é “não criar clivagens” e ser “um verdadeiro embaixador de toda a cultura gastronómica e vínica da região”, que é parte integrante da Dieta Mediterrânica, classificada como património imaterial da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), concluiu.
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