A proposta da associação ambientalista ZERO para o tratamento mecânico e biológico (TMB) dos resíduos urbanos do Algarve será analisada no âmbito de um estudo a promover pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), destinado a avaliar as soluções mais adequadas para a gestão dos resíduos produzidos na região.
A confirmação foi transmitida à ZERO através de um ofício enviado pela ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, no qual é indicado que a proposta da associação estará entre as opções a considerar no estudo, cujo protocolo será assinado esta sexta-feira, 30 de outubro, em Faro.
Em comunicado, a associação ambientalista “congratula-se com o facto de o tratamento mecânico e biológico ir ser considerado, pois é mais rápido, barato e amigo do ambiente do que a incineração”.
A solução defendida pela ZERO prevê a construção de duas unidades de tratamento mecânico e biológico junto aos aterros da Algar, localizados nos concelhos de Loulé e Portimão, “com capacidade para tratar todos os resíduos orgânicos e triagem de grande parte dos recicláveis”.
ZERO defende redução de 70% dos resíduos enviados para aterro
Segundo a associação, esta solução permitiria, “de forma rápida, desviar de aterro cerca de 70%” dos resíduos indiferenciados e “acabar com os problemas ambientais decorrentes da descarga de resíduos orgânicos nos aterros, tais como os maus cheiros”.
A Algar, empresa responsável pela gestão e tratamento de resíduos no Algarve, processa anualmente mais de 400 mil toneladas de resíduos urbanos, mas 85% seguem diretamente para aterro. Os dois aterros da região encontram-se à beira do esgotamento.
Em Portugal, 54% dos resíduos são atualmente depositados em aterro, quando a meta estabelecida pela União Europeia para 2035 é de 10%.
A ZERO sublinha que a instalação das unidades de TMB poderá demorar até três anos, enquanto a incineração, solução sugerida em agosto pela ministra do Ambiente, “demorará pelo menos sete anos”.
Tratamento mecânico e biológico pode custar metade da incineração
A associação alerta ainda para as dificuldades associadas à localização de uma eventual unidade de incineração, considerando que será necessário “encontrar uma localização, o que será muito complicado ou mesmo impossível de se conseguir”.
Além disso, a ZERO antecipa “um aumento brutal” dos encargos que as autarquias algarvias terão de suportar com o tratamento dos resíduos caso seja escolhida a incineração.
De acordo com as estimativas apresentadas pela associação ambientalista, a instalação das unidades de TMB “não ultrapassa os 150 milhões de euros” e poderá beneficiar de financiamento comunitário.
Em contrapartida, a solução de incineração, sem acesso a fundos europeus, “custa pelo menos 300 milhões de euros”, montante que poderá aumentar “face à obrigação de colocar um sistema de captura de carbono nas novas unidades de incineração”.
A ZERO considera igualmente que o tratamento mecânico e biológico “permite a retirada rápida dos resíduos orgânicos dos aterros”, contribuindo para o cumprimento da legislação aplicável, bem como “a triagem de vários materiais recicláveis que ainda estão nos resíduos urbanos indiferenciados”.
Entre estes materiais encontram-se plásticos, cartão, vidro, pilhas, metais e pequenos equipamentos elétricos e eletrónicos.
“Face às claras vantagens do TMB em relação à incineração em termos de velocidade da resolução do problema dos aterros, dos custos envolvidos e dos impactes ambientais, a ZERO tem a expectativa que o estudo que vai ser lançado pela APA vai concluir que o TMB é muito mais vantajoso para os algarvios do que a incineração”, sustenta a associação.
Associação propõe reforço da recolha seletiva no Algarve
Paralelamente à construção das unidades de tratamento, a ZERO defende a implementação de “um sistema de recolha seletiva de alta eficiência, baseado na recolha porta-a-porta e de proximidade de embalagens e de biorresíduos”.
A associação considera que esta recolha deve começar pelos estabelecimentos de restauração, recordando que se trata de uma obrigação legal, “o que já é obrigatório desde 2025”.
O estudo destinado a identificar as soluções tecnológicas mais adequadas para o tratamento dos resíduos urbanos do Algarve, bem como as possíveis localizações para futuras infraestruturas, será enquadrado por um protocolo a assinar esta sexta-feira entre a APA e a Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL), numa cerimónia que contará com a presença da ministra do Ambiente e da Energia.
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