Os assistentes operacionais das escolas de Albufeira denunciaram esta segunda-feira uma crescente sobrecarga de trabalho, que dizem ter sido agravada pelo fim da contratação externa dos serviços de limpeza, situação que levou à pré-convocatória de uma semana de greve para novembro.
O protesto decorreu em frente à Câmara Municipal de Albufeira e foi promovido pelo Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (S.TO.P), reunindo “cerca de uma centena e meia” de trabalhadores dos três agrupamentos escolares do concelho, segundo fonte sindical citada pela Lusa.
Daniel Martins, dirigente do sindicato, considera que a escassez de profissionais é “um problema nacional”, mas sustenta que, em Albufeira, os assistentes operacionais “andam exaustos” porque “são paus para toda a obra”, acumulando um elevado número de tarefas.
Entre as funções desempenhadas pelos trabalhadores no concelho algarvio estão o acompanhamento e a vigilância dos alunos, o apoio às refeições, os serviços de manutenção e a assistência a crianças com necessidades educativas especiais, entre outras, enumerou o sindicalista.
Sindicato alerta para sobrecarga após fim da limpeza externa
“Toda uma panóplia de situações que nem sequer integram o conjunto de funções que lhes são atribuídas e que eles fazem de bom grado, mas sem a formação devida”, sustentou o dirigente do S.TO.P.
Este problema, acrescentou, foi agravado pelo fim do contrato de prestação de serviços de limpeza nas escolas do concelho, no final de setembro, causando “uma sobrecarga extra”.
“Se as colegas já estavam sobrecarregadas de trabalho, agora ainda lhes foi atribuído mais trabalho. As limpezas, sendo função delas, tinham sido privatizadas, mas essa subcontratação terminou agora. As colegas não aguentam, muitas estão a meter baixa, outras estão a dar mais uma hora ao final do dia para pôr as coisas no mínimo exequível. Quem paga são as crianças, que não têm escolas em condições”, afirmou Daniel Martins.
Segundo o S.TO.P, a situação pode comprometer a segurança dos alunos, uma vez que os assistentes operacionais têm de dividir o tempo entre a limpeza dos espaços e a vigilância das crianças.
“Ou existem funcionários para limpar ou funcionários para vigiar, o que não podem é estar a fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Isso significa que a segurança está em causa”, alertou o dirigente sindical.
Trabalhadores admitem greve entre 9 e 13 de novembro
Num plenário realizado hoje, os profissionais aprovaram a entrega de um caderno reivindicativo à Câmara de Albufeira, esperando “obter respostas até final do mês de outubro”, revelou Daniel Martins.
Já está agendado um novo plenário, com marcha pelas ruas da cidade, para 04 de novembro, em que será avaliada e ratificada uma greve de uma semana, já pré-convocada para os dias 09 a 13 de novembro, “dependendo do que a câmara responder”, destacou o dirigente do S.TO.P.
Câmara anuncia novas contratações e investimento em vigilância
Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara de Albufeira, Rui Cristina (Chega), considerou as críticas injustas e revelou que, até final deste ano letivo, a autarquia espera contratar cerca de uma centena de profissionais para as escolas.
“A partir de amanhã [terça-feira], vão entrar 20 novos assistentes operacionais. Vamos apresentar em reunião de câmara uma proposta de concurso para contratar mais 35 assistentes operacionais, além de 14 cozinheiros, e contamos ter disponíveis mais 30 em colaboração com o Instituto de Emprego e Formação Profissional”, referiu.
A Câmara de Albufeira vai investir também 150 mil euros em serviços de vigilância na entrada das escolas, libertando assistentes operacionais para as suas funções, acrescentou o autarca eleito pelo Chega, lembrando que a contratação externa para a limpeza “tinha um custo de mais de 1 milhão de euros”.
“Não há nenhum município no Algarve em que os assistentes operacionais não façam limpezas. Compreendo muitas das suas queixas, acho que estes profissionais têm de ser valorizados, mas no dia a dia vão ter de cumprir o que está no seu contrato”, defendeu.
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