Voltar a estudar depois dos 50 anos já é possível numa universidade portuguesa sem ter de realizar exames ou apresentar diplomas escolares. A iniciativa permite frequentar aulas sobre temas tão diferentes como inteligência artificial, cavalos-marinhos ou alimentação, num ambiente académico onde a troca de experiências e a curiosidade dos participantes são mais importantes do que as classificações.
O projeto chama-se UAlg C+ Universidade Comunitária e começou a funcionar a 19 de outubro, no Algarve, com atividades realizadas sobretudo no Campus da Penha, em Faro. De acordo com a rádio TSF, a iniciativa destina-se a pessoas com 50 anos ou mais que pretendam continuar a aprender, independentemente das habilitações académicas, mediante o pagamento de uma propina.
Não é preciso ter frequentado o ensino superior
A principal particularidade desta iniciativa é a possibilidade de qualquer pessoa com a idade exigida regressar a uma sala de aula sem precisar de ter concluído o ensino secundário ou frequentado anteriormente uma universidade. Nídia Braz, uma das coordenadoras do projeto, explicou à TSF que o objetivo é abrir as portas da instituição e permitir à população conhecer o trabalho desenvolvido pelos docentes e investigadores.
Segundo a mesma fonte, os responsáveis fazem questão de distinguir esta experiência das universidades seniores tradicionais. Em vez de um programa organizado em disciplinas fixas, os participantes encontram módulos independentes, com diferentes professores e conteúdos. A Universidade do Algarve confirma que a oferta abrange seis áreas do conhecimento, desde saúde e ambiente até economia, património, artes e tecnologias.
Num dia fala-se de cavalos-marinhos e noutro de inteligência artificial
As primeiras sessões já abordaram temas relacionados com a conservação dos cavalos-marinhos, a importância das águas subterrâneas e a inteligência artificial. A programação inclui aulas teóricas e práticas, oficinas, caminhadas e visitas de estudo, permitindo que os participantes contactem diretamente com diferentes áreas de investigação desenvolvidas na universidade.
Cada módulo tem uma duração habitual de 90 minutos e as atividades decorrem nos dias úteis, entre as 10 h e as 17 h. Os estudantes podem escolher os temas que pretendem frequentar, mediante inscrição prévia e de acordo com a capacidade de cada sessão. A programação prolonga-se até 25 de junho de 2027, com uma interrupção entre 11 de dezembro e 18 de janeiro.
Aluna de 72 anos destaca a liberdade para fazer perguntas
Entre os primeiros participantes encontra-se Anabela, de 72 anos, que contou à estação de rádio como as aulas decorrem num ambiente de partilha entre professores e estudantes. A aluna considera que a experiência de vida dos participantes contribui para tornar as sessões mais participativas, uma vez que muitos aproveitam para colocar questões relacionadas com os assuntos apresentados.
A presença de pessoas com diferentes percursos profissionais e pessoais é, precisamente, uma das características que a universidade pretende valorizar. Nídia Braz referiu que os docentes responderam positivamente ao desafio de participar no projeto, tendo apresentado propostas de atividades que já permitem preencher a programação até ao final de junho.
Quanto custa frequentar esta universidade?
A frequência do programa implica o pagamento de uma propina. Os participantes pagam 25 euros por mês e passam a integrar a comunidade académica da Universidade do Algarve. A página oficial do curso apresenta, para o ano letivo de 2026/2027, uma propina de 200 euros, acrescida de uma taxa de candidatura de 10 euros e de outros 10 euros referentes à inscrição e ao seguro escolar.
A iniciativa permite também utilizar espaços da universidade, incluindo bibliotecas, cantinas e bares. Os participantes podem almoçar no campus, conviver com estudantes mais jovens ou passar algum tempo na biblioteca. A responsável considera que esta integração na vida universitária contribui para criar novas oportunidades de convívio e combater o isolamento social.
Como fazer a inscrição na Universidade Comunitária?
As candidaturas encontram-se abertas para o ano letivo de 2026/2027, estando previstas 50 vagas. Podem inscrever-se cidadãos portugueses ou estrangeiros residentes em Portugal com idade igual ou superior a 50 anos. A seleção é realizada por ordem de inscrição, não sendo exigidas habilitações académicas específicas.
Os interessados podem apresentar a candidatura online até 3 de maio de 2027, através do portal da universidade. Existe também apoio presencial às inscrições às sextas-feiras, entre as 10 h e as 12 h, no Balcão do Estudante do Campus da Penha, no edifício do Instituto Superior de Engenharia.
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