A primeira edição da INCULTA – Iniciativa Cultural Álvaro de Campos, realizada entre 15 e 17 de outubro, na Biblioteca Municipal Álvaro de Campos, em Tavira, terminou com um balanço positivo por parte da organização, depois de três dias de atividades que aproximaram a literatura, as artes e a comunidade educativa, através de exposições, oficinas criativas, debates e espetáculos.
Organizada pela Casa Álvaro de Campos, em parceria com o Município de Tavira e os Agrupamentos de Escolas Dr. Jorge Augusto Correia e D. Manuel I, a iniciativa procurou valorizar a palavra enquanto instrumento de criação artística, conhecimento e participação cultural.

O envolvimento de alunos e professores foi um dos aspetos destacados pela organização, que sublinhou a importância da colaboração das escolas na concretização das atividades e na aproximação dos jovens à literatura e a diferentes formas de expressão artística.
Alunos deram nova vida à poesia de Álvaro de Campos através do hip-hop e das artes visuais
A programação começou a 15 de outubro com a inauguração da exposição “Os Campos de Álvaro de Campos”, que reuniu trabalhos plásticos desenvolvidos por alunos a partir de interpretações pessoais da obra do poeta e de outros criadores.

As propostas apresentadas exploraram diferentes linguagens visuais, permitindo aos jovens estabelecer uma relação entre a criação artística contemporânea e o património literário.
Outro dos momentos da iniciativa foi a oficina “Ritmo e Poesia – Do Beat ao Videoclipe”, na qual os participantes trabalharam versos da “Ode Triunfal”, de Álvaro de Campos, através do hip-hop e da produção videográfica.
Desta experiência resultou a criação “Rap Triunfal”, que procurou aproximar a poesia de novas sonoridades e formas de comunicação artística.
A programação incluiu ainda a performance “O menino de sua mãe”, integrada no projeto CriarLab, dirigido à comunidade educativa e destinado a incentivar o contacto com os processos de criação e interpretação artística.
Segundo a Casa Álvaro de Campos, os trabalhos desenvolvidos revelaram qualidade artística, tendo o empenho dos professores desempenhado um papel determinante na integração das artes no percurso educativo dos alunos.
Lídia Jorge participou em debates sobre literatura, identidade e cultura
A primeira edição da INCULTA contou também com os “Diálogos INCULTA”, que reuniram escritores e investigadores para refletir sobre a obra de Álvaro de Campos e a sua relação com diferentes dimensões culturais e sociais.
Entre os convidados estiveram Manuel Moya, Ana Cristina Matias, Adriana Nogueira, Pedro Prista e a escritora algarvia Lídia Jorge.
As intervenções abordaram temas como a palavra, a cultura, a identidade, o território, a alteridade e a lusofonia, promovendo diferentes perspetivas sobre a criação literária e a sua ligação à sociedade.
A organização destacou a profundidade e a originalidade das reflexões apresentadas, considerando que os encontros abriram caminho a novos debates sobre estas matérias.
A participação de autores e investigadores permitiu, assim, alargar a programação para além das atividades artísticas, criando oportunidades de partilha de conhecimento e discussão em torno do património literário.
Espetáculo final recuperou vozes de escritoras algarvias pouco conhecidas
O encerramento da iniciativa ficou marcado pelo espetáculo “Mulheres que escreveram e não li”, uma proposta artística dedicada à valorização de autoras algarvias pouco conhecidas.
A apresentação cruzou poesia, performance e música, procurando recuperar e divulgar obras e percursos literários que permanecem pouco presentes no conhecimento público.

Através desta abordagem, o espetáculo chamou a atenção para a importância de preservar e divulgar o património literário feminino da região, proporcionando ao público o contacto com diferentes vozes e expressões artísticas.
No balanço da primeira edição, a Casa Álvaro de Campos considera que a INCULTA conseguiu estabelecer uma ligação entre a comunidade educativa, os criadores e o público, através de uma programação diversificada e participativa.
A organização pretende dar continuidade à iniciativa, aprofundando o trabalho desenvolvido e criando novas oportunidades de encontro entre a literatura, as artes e a comunidade.
Com esta primeira edição, a INCULTA procurou reforçar a presença da criação literária e artística na vida cultural de Tavira, valorizando simultaneamente o património associado a Álvaro de Campos e as possibilidades de diálogo com as expressões culturais contemporâneas.
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