A Somos Esperança – Associação de Solidariedade, em Olhão, anunciou que terá de entregar até 31 de dezembro o imóvel onde mantém a sede há cinco anos. A instituição procura uma cozinha temporária para continuar a preparar refeições para as pessoas que apoia.
Em duas publicações no Facebook, divulgadas a 14 e 15 de outubro, a associação descreve as dificuldades para encontrar instalações que acomodem as lojas sociais, a cozinha, a despensa social e a lavandaria. A situação motivou também um apelo público de Janete Serrano à mobilização da comunidade.
Continuidade da cozinha é a principal preocupação
Na atualização publicada esta quinta-feira, a Somos Esperança informa que já se reuniu com a Câmara Municipal de Olhão, que, segundo a associação, se tem disponibilizado a ajudar na procura de uma solução.
“Tudo está a ser feito para continuar com a nossa cozinha”, assegura a instituição, que pede a quem conheça um espaço temporário onde seja possível continuar a confecionar refeições que lhe comunique essa possibilidade.
“De momento é mesmo o que mais nos preocupa, deixar sem refeições quem ajudamos”, escreve a associação.
O apelo surge depois de outros problemas relatados na primeira publicação, nomeadamente dificuldades para abastecer a despensa, problemas nos esgotos e uma paragem da carrinha durante três meses, que impediu a aceitação de doações de maior dimensão.
Lojas sociais vão perder espaço e Natal permanece incerto
A solução anunciada para a roupa, o calçado e os brinquedos passa pela transferência de uma quantidade menor destes bens para o armazém de mobílias. A associação explica que deixará de dispor de espaço para manter três lojas sociais, reduzindo também a capacidade de receber novas doações.
Na primeira publicação, pediu compreensão por não poder aceitar mais roupa, calçado e brinquedos. Como exceção, indicou o vestuário e o calçado de homem, sobretudo roupa desportiva e ténis, por serem peças confortáveis para quem dorme vestido. A maioria das pessoas em situação de sem-abrigo que acompanha é do sexo masculino.
A mudança coloca igualmente em dúvida as iniciativas de Natal. Os padrinhos de Natal, os cabazes e a presença do Pai Natal na rua continuam por definir, uma vez que o imóvel terá de estar completamente vazio até ao final de dezembro.
“Um dia de cada vez”, resume a associação, que mantém a procura de alternativas para continuar a atividade.
Janete Serrano apela à mobilização da comunidade
Janete Serrano, membro do executivo de Moncarapacho e primeira vogal do Chega, manifestou tristeza e preocupação com a situação, apelando à comunidade de Olhão, às entidades competentes, às instituições e às empresas para ajudarem a encontrar uma solução.
“Não deixemos que cinco anos de entrega, amor, trabalho voluntário e solidariedade sejam postos em risco por falta de um espaço onde continuar”, escreveu no Facebook.
Na sua publicação, a eleita destacou o trabalho dos voluntários, a colaboração dos supermercados e os contributos de pessoas anónimas para manter o projeto. Defendeu que a procura de novas instalações deve mobilizar quem tenha condições para ajudar a preservar o apoio prestado pela associação.
“Não deixemos que a porta da Somos Esperança se feche. Ajudemos a encontrar uma nova porta para que tantas outras continuem abertas”, apelou Janete Serrano.
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