Cerca de seis dezenas de pessoas participaram, na terça-feira, 20 de outubro, numa manifestação em Faro contra o elevado custo da habitação, que consideram cada vez mais inacessível para grande parte da população. A concentração, realizada junto à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDR Algarve), serviu também para manifestar solidariedade com os participantes nos acampamentos de protesto de Lisboa e do Porto.
A iniciativa foi promovida pelo movimento Algarve em Resistência, que denuncia o agravamento das desigualdades sociais e defende a necessidade de reforçar a mobilização pelo direito à habitação. “Estamos aqui contra a desigualdade, que está a aumentar de uma forma brutal. A luta pela habitação é a luta pela democracia”, afirmou Afonso Coelho, representante do movimento, citado pela agência Lusa.

Os organizadores associaram a manifestação algarvia aos protestos realizados noutras cidades portuguesas, contestando aquilo que classificam como “a lógica do rentismo”, que, segundo Afonso Coelho, está a “pôr as pessoas sob uma violência muito grande no dia-a-dia”. O movimento considera que os encargos habitacionais absorvem uma parte excessiva dos rendimentos das famílias.
“A maior parte do seu salário, do seu tempo de trabalho, é para pagar aos senhorios”, sublinhou Afonso Coelho, acrescentando que o objetivo passa por construir um movimento “mais amplo” no Algarve, capaz de “mobilizar mais pessoas para as ruas”.
Manifestantes denunciam dificuldades no acesso à habitação
O protesto começou às 19:00, em frente à CCDR Algarve, com uma participação inicialmente reduzida, mas foi reunindo mais pessoas ao longo da primeira meia hora, atingindo cerca de seis dezenas de manifestantes.
Durante a concentração, ouviram-se palavras de ordem como “Teto e chão, direito à habitação” e “Queremos casas para morar, não para especular”.
Nos cartazes, os participantes exibiam mensagens como “Menos bastão, mais habitação”, “Casa para viver, tenda para resistir” e “Um país sem habitação é um país sem justiça”.
Entre os manifestantes encontrava-se Pedro Brandão, investigador na Universidade do Algarve, que explicou à agência Lusa ter participado para expressar o seu “desagrado” perante a crise habitacional.
Atualmente a viver num apartamento partilhado com outras três pessoas, o investigador afirmou que, apesar de ter um salário “que não é mau”, os preços praticados no mercado imobiliário impedem-no de arrendar uma habitação sozinho ou de recorrer ao crédito bancário para comprar casa.
“Está tudo muito alto e muito elevado. Ficar sozinho é algo que neste momento é impossível, ter uma casa só para mim está fora do meu alcance”, destacou.
Famílias queixam-se do aumento do custo de vida
Também Júlia Vânia, que participou na manifestação acompanhada por uma das suas três crianças, alertou para as dificuldades enfrentadas pelas famílias devido à subida das despesas essenciais.
A manifestante, que tem um crédito à habitação, considerou que o atual custo de vida “é incomportável para as famílias”.
“Todas as semanas notamos no supermercado, nos preços dos bens alimentares essenciais, no gasóleo, tudo está a subir. A prestação da casa também aumenta com os juros, temos de fazer uma vida humilde para comportar o aumento do custo de vida”, afirmou à Lusa.
A manifestação em Faro decorreu no mesmo dia em que a Polícia de Segurança Pública deteve 55 participantes na Acampada de Lisboa, na Praça D. Pedro IV, no Rossio, por alegada resistência à intervenção policial destinada a retirar as tendas instaladas no local.
De acordo com informações prestadas à Lusa por fonte da PSP, os 55 detidos foram constituídos arguidos, posteriormente libertados e notificados para comparecer no Tribunal de Pequena Instância, na quarta-feira.
Os protestos pelo direito à habitação e contra o aumento do custo de vida tinham começado no Porto, a 10 de outubro, quando cerca de 1.500 manifestantes se concentraram na Praça D. João I, junto ao Rivoli, tendo alguns permanecido durante a noite em tendas de campismo.















