Antes de se tornar um dos hotéis mais reconhecíveis da Praia da Rocha, o edifício do atual Bela Vista Hotel & Spa teve outra vida. A antiga casa viria a transformar-se num espaço de hospedagem que, ao longo do século XX, recebeu aristocratas, artistas, refugiados europeus e até figuras ligadas à história militar do continente.
No site do Hotel Bela Vista pode ler-se que, entre os hóspedes que passaram pelo edifício esteve o barão Carl Gustaf Emil Mannerheim, uma das figuras históricas da Finlândia. Em 1945, já no final da II Guerra Mundial, escolheu aquele hotel algarvio para recuperar de uma doença.
Casa que acabou transformada em hotel
A história do Bela Vista acompanha a transformação da própria Praia da Rocha. O imóvel nasceu como residência, mas acabaria por ganhar uma nova função quando o turismo começou a alterar a relação de Portimão com aquela faixa de costa.
Ao longo dos anos, a adaptação não apagou por completo a identidade anterior do edifício. O próprio hotel apresenta atualmente a sua história como um equilíbrio entre preservação e renovação, procurando manter elementos do passado enquanto atualiza os espaços utilizados pelos hóspedes.
Aristocratas e artistas começaram a procurá-lo
Entre 1936 e 1940, o estabelecimento tornou-se ponto de passagem para aristocratas e artistas, segundo a história divulgada pelo próprio hotel. A localização junto ao Atlântico e o ambiente da Praia da Rocha ajudaram a criar um refúgio distante das grandes capitais europeias.
Essa função ganharia ainda outra dimensão durante os anos seguintes. Com a Europa mergulhada na II Guerra Mundial, Portugal manteve-se neutral e tornou-se passagem ou abrigo temporário para diferentes pessoas que procuravam afastar-se do conflito.
Guerra trouxe hóspedes pouco habituais ao Algarve
Foi nesse contexto que o Bela Vista recebeu refugiados europeus, oficiais alemães e nobres exilados. A mesma fonte refere ainda a passagem de espiões, mostrando como um hotel à beira-mar no Algarve acabou ligado, ainda que indiretamente, ao ambiente político e militar da época.
A Praia da Rocha estava então muito distante da realidade turística atual. O hotel assumia-se como um ponto de acolhimento numa região que começava a ser descoberta por visitantes estrangeiros, ao mesmo tempo que a guerra alterava profundamente os percursos de quem atravessava a Europa.
Mannerheim passou pelo hotel em 1945
Entre esses nomes encontra-se Carl Gustaf Emil Mannerheim, apresentado pelo Bela Vista como “herói da Finlândia”. O antigo chefe militar finlandês esteve hospedado no hotel em 1945, onde recuperou de uma doença, segundo a memória histórica preservada pelo estabelecimento.
A presença de Mannerheim acrescentou ao edifício uma ligação inesperada à história europeia. Num momento em que o conflito mundial se aproximava do fim, uma figura militar estrangeira encontrou na costa de Portimão um lugar para permanecer durante a recuperação.
Hotel continua a valorizar essa memória
Décadas depois, o Bela Vista mantém essa passagem como parte da narrativa do edifício. A história do hotel não se resume, por isso, ao alojamento turístico, cruzando-se também com períodos de instabilidade europeia e com hóspedes que chegaram ao Algarve por razões muito diferentes das férias.
Hoje, quem observa o edifício sobre a Praia da Rocha pode não imaginar tudo o que aconteceu entre aquelas paredes. O antigo lar que se transformou em hotel passou por aristocratas, artistas, refugiados e espiões, mas guarda ainda outro episódio singular: em 1945, Carl Gustaf Emil Mannerheim escolheu aquele ponto do Algarve para recuperar de uma doença.
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