Um burro carregado de tacos de golfe tornou-se uma das imagens mais improváveis da transformação turística do Algarve. Chamava-se Pacífico, custou apenas 75 cêntimos e acompanhou durante anos Sir Henry Cotton pelos campos da Penina, em Portimão, numa altura em que a região estava ainda longe de ser associada internacionalmente à modalidade.
Segundo o Observador, a história está ligada ao nascimento do Penina Hotel & Golf Resort, inaugurado em 1966 por John Stillwell. O empreendimento juntou um hotel de cinco estrelas ao primeiro campo de golfe relvado do Algarve e ajudou a introduzir um tipo de turismo muito diferente daquele que, até então, procurava sobretudo as praias da região.
Henry Cotton encontrou Pacífico em Monchique
A compra aconteceu durante um passeio pela Serra de Monchique. Henry Cotton, antigo vencedor por três vezes do British Open e responsável pelo desenho do campo da Penina, encontrou um agricultor que seguia acompanhado por um burro e decidiu propor-lhe negócio.
Segundo Sandra Matos, então ligada à direção do hotel e citada pela publicação, Cotton pagou 75 cêntimos pelo animal. O burro recebeu o nome Pacífico e rapidamente ganhou uma função pouco habitual para um animal comprado numa região ainda fortemente rural: passou a transportar os tacos do golfista.
Chegou a acompanhar algumas das maiores figuras do golfe
Pacífico não se limitou a acompanhar partidas discretas. Ao lado de Henry Cotton, acabou por cruzar-se com nomes conhecidos do desporto e do entretenimento que passaram pela Penina durante aqueles anos.
Entre os visitantes mencionados encontram-se Bing Crosby, Bob Hope, Arnold Palmer, Jack Nicklaus, Tony Jacklin, Sean Connery e Lee Trevino. O burro assumia, assim, o papel de um verdadeiro caddie, transportando o equipamento e acompanhando Cotton durante as várias voltas ao campo.
Campo nasceu onde antes existia um arrozal
A história de Pacífico só se entende conhecendo a transformação realizada na Penina. No início da década de 1960, John Stillwell convidou Henry Cotton para projetar um campo de golfe numa área então ocupada por um arrozal na Tapada da Penina.
Foi necessário drenar o terreno antes de avançar com o projeto. Cotton promoveu ainda a plantação de cerca de 300.000 árvores, alterando profundamente a paisagem e criando o enquadramento para aquele que viria a tornar-se um dos campos mais conhecidos do Algarve.
Tradição continuou com Pacífico II e III
O primeiro Pacífico acompanhou Cotton durante vários anos e chegou mesmo a viajar com o golfista para Espanha. Foi nesse país que morreu, em 1972, quando o britânico estava envolvido no desenvolvimento de novos projetos de golfe.
Quando Cotton regressou à Penina, em 1975, encontrou Pacífico II, filho do primeiro burro, que voltou a assumir a função de acompanhante no campo até 1987. Mais tarde surgiu Pacífico III, nascido em 1990, que já não trabalhou como caddie, embora tenha participado num troféu dedicado a Sir Henry Cotton.
Algarve já tinha tido um campo bastante diferente
O golfe não começou propriamente na Penina. A modalidade tinha chegado ao Algarve décadas antes e, em 1937, existiu na Praia da Rocha um pequeno campo de nove buracos, cuja superfície era feita de terra batida e óleo queimado.
A experiência durou pouco e existem poucos registos sobre esse primeiro espaço. A mudança decisiva surgiu com a Penina, cujo campo começou a funcionar em junho de 1966, alguns meses antes da abertura do hotel, em novembro do mesmo ano.
Burro ficou ligado ao início do golfe moderno no Algarve
John Stillwell procurou desde cedo divulgar internacionalmente o projeto, convidando jornalistas estrangeiros e apresentando o Algarve como um destino onde sol e praia podiam ser conjugados com golfe e alojamento de gama elevada. A estratégia ajudou a atrair um público que até então tinha uma presença reduzida na região.
Leia também: Resort de Albufeira eleito o melhor de Portugal em regime tudo incluído nos World Travel Awards
















