A história militar de Vila Real de Santo António e o papel do seu sistema defensivo na Batalha do Guadiana, travada em 1801, estão em destaque numa obra científica da Universidade de Sevilha, apresentada a 30 de outubro na Biblioteca Municipal Vicente Campinas. A publicação inclui um estudo do historiador Fernando Pessanha dedicado a um episódio pouco conhecido das relações entre Portugal e Espanha.
Intitulado Fronteiras ibéricas em diálogo: discursos plurais sobre história, cooperação e globalização, o livro reúne contributos de investigadores de diferentes áreas científicas, propondo uma reflexão sobre a evolução histórica, cultural e territorial dos espaços fronteiriços ibéricos.

A publicação, coordenada cientificamente pelos professores Pedro Albuquerque e Patrícia Monteiro, integra estudos de História, Arqueologia, Antropologia, História da Arte, Geografia e Filosofia, numa abordagem multidisciplinar às relações e transformações dos territórios situados junto à fronteira entre Portugal e Espanha.
A Câmara Municipal de Vila Real de Santo António participa na obra através da investigação de Fernando Pessanha, intitulada “Considerações sobre o sistema defensivo de Vila Real de Santo António na Grande Batalha do Guadiana, de 1801”, que analisa a importância estratégica da cidade num episódio da história militar portuguesa.
Investigação recupera episódio pouco conhecido da Guerra das Laranjas
O estudo de Fernando Pessanha centra-se na Grande Batalha do Guadiana, ocorrida em 1801, durante a Guerra das Laranjas, conflito que antecedeu as Invasões Francesas.
A investigação procura compreender o papel desempenhado pelo sistema defensivo de Vila Real de Santo António naquele contexto histórico, contribuindo para aprofundar o conhecimento sobre as relações militares e territoriais entre Portugal e Espanha na transição do século XVIII para o século XIX.
A inclusão deste trabalho numa publicação científica internacional permite divulgar uma vertente menos conhecida do património histórico-militar do concelho, associando a investigação local a uma reflexão mais abrangente sobre as fronteiras ibéricas.
A apresentação do livro, realizada na Biblioteca Municipal Vicente Campinas, contou com a participação de investigadores e representantes da autarquia.
A receção aos participantes esteve a cargo de Sara Brito, chefe da Subdivisão de Cultura e Património da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António.

Durante a sessão, Pedro Albuquerque, arqueólogo da Universidade de Sevilha e coordenador científico da publicação, apresentou os principais objetivos da obra e as diferentes linhas de investigação que estiveram na origem do projeto.
Fernando Pessanha abordou o episódio militar de 1801, explicando a sua relevância para a história e para a identidade cultural de Vila Real de Santo António.
Rio Guadiana e relações entre Portugal e Espanha em destaque
A escolha de Vila Real de Santo António para a apresentação da obra assumiu particular significado devido à localização fronteiriça da cidade e à importância histórica do rio Guadiana nas relações entre os dois países.
Ao longo dos séculos, o Guadiana constituiu um espaço de contacto, circulação e intercâmbio entre comunidades portuguesas e espanholas, desempenhando um papel relevante na evolução dos territórios situados nas suas margens.

Neste contexto, a publicação propõe uma análise das fronteiras ibéricas enquanto espaços marcados não apenas por divisões territoriais, mas também por relações históricas, culturais e sociais.
A apresentação do livro permitiu igualmente valorizar a investigação desenvolvida sobre Vila Real de Santo António e divulgar um episódio histórico que permanece pouco conhecido do público.
Ao integrar o estudo de Fernando Pessanha, a obra da Universidade de Sevilha contribui para ampliar o conhecimento sobre o passado militar e as relações transfronteiriças do Baixo Guadiana, destacando a importância da investigação científica para a preservação e divulgação da memória histórica local.
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