Técnica tradicional de construção em taipa está a ser experimentada no Algarve em novas soluções de mobiliário urbano, através de um projeto que já colocou um banco no Jardim da Alameda, em Faro, e prevê instalar outras peças na Ilha da Culatra e em Querença.
A experiência foi apresentada a 15 de outubro, no Instituto Português do Desporto e da Juventude (IPDJ), em Faro, durante a sessão técnica “Taipa no Mobiliário Urbano: inovação sustentável para o espaço público”, promovida no âmbito do projeto “Matéria Adentro”.

Desenvolvido pela Perto Arquitetura e pela A Engenharia da Taipa, o protótipo consiste num banco de jardim construído com recurso a esta técnica tradicional. A instalação no Jardim da Alameda contou, desde o início, com o acolhimento do Município de Faro.
O projeto prevê ainda a colocação de outro protótipo na Ilha da Culatra e de um candeeiro no Jardim Manuel Viegas Guerreiro, em Querença.
Materiais tradicionais ganham novas aplicações
A sessão contou com um enquadramento científico de Alfredo Braga, do Instituto Superior de Engenharia da Universidade do Algarve, que apresentou informação sobre a técnica, o desempenho e a durabilidade das construções em taipa no sul do país.
O encontro abordou também o progressivo desaparecimento do património construído com esta técnica e a possibilidade de lhe atribuir novas utilizações, nomeadamente no espaço público.

Além da taipa, foram discutidas aplicações de outros materiais endógenos do Algarve, como a cana e a ostra, procurando desenvolver soluções com menor impacto ambiental para os setores do design, arquitetura e construção.
A adoção destas propostas pelas autarquias esteve igualmente em debate numa mesa-redonda moderada por Catarina Cruz, com representantes do Município de Aljezur, Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL), Ordem dos Arquitetos e equipa do projeto “Matéria Adentro”.
Entre os principais desafios identificados estiveram a durabilidade e manutenção das peças, regulamentação, licenciamento, contratação pública e capacidade de produção.
Projeto aposta na economia circular e nos recursos do Algarve
O debate destacou ainda a importância de preservar e transmitir às novas gerações os conhecimentos ligados aos materiais e técnicas tradicionais, envolvendo escolas, instituições de ensino superior, arquitetos, designers, municípios e profissionais da construção.
Foi igualmente abordada a reutilização de terras provenientes de construções anteriores e de resíduos de construção e demolição como forma de integrar princípios de economia circular. Foram ainda referidas oportunidades de financiamento através do Programa Regional Algarve 2030.
O projeto “Matéria Adentro” termina a 22 de outubro, com uma sessão marcada para as 14:30 no auditório da CCDR Algarve, em Faro, destinada à apresentação dos resultados e à reflexão sobre novas utilizações dos materiais endógenos.

Integrada no “Programa de Desenvolvimento de Novos Produtos baseados em Materiais Endógenos Inspirados na Dieta Mediterrânica”, a iniciativa pretende estimular a criação de produtos a partir de recursos locais e associar os saberes tradicionais à inovação.
O trabalho incluiu residências criativas com artesãos, empresas, designers, arquitetos e investigadores, nas quais foram desenvolvidas experiências com cana, casca de ostra, barro e taipa, procurando aplicações no design, arquitetura e construção sustentável.
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