O prémio literário Novas Dramaturgias José Louro, esta quinta-feira apresentado, em Faro, visa incentivar a criação de textos para teatro, homenageando um dos principais dinamizadores teatrais no Algarve, disse o diretor do Teatro das Figuras.
Gil Silva contou à agência Lusa que a ideia de criar um prémio que distinguisse obras escritas para teatro surgiu de uma conversa tida com o homólogo da ACTA – A Companhia de Teatro do Algarve, Luis Vicente, na qual verificaram haver “uma falta de escrita de textos dramáticos” na região e no país.
Com a conclusão de que existiam poucos textos novos para teatro, “surgiu a ideia de criação de um prémio para escrita de textos dramáticos para jovens”, disse Gil Silva, frisando que o prémio José Louro vai distinguir trabalhos de autores até aos 35 anos e tem associado um valor monetário de 3.000 euros.
O diretor do Teatro das Figuras sublinhou que o prémio “não se esgota” no valor pecuniário e tem mais “valências” associadas, como a apresentação ao público da obra vencedora ou a sua edição em livro.
“A ideia é depois o prémio vencedor ser levado a cena, numa coprodução entre nós [Teatro das Figuras] e a ACTA. Depois será estreado no Teatro das Figuras e posteriormente circulará no Teatro Lethes”, adiantou.
A Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade do Algarve, através do Centro de Investigação em Artes e Comunicação (CIAC), também se associou ao prémio José Louro e vai criar uma oferta de cursos de verão de escrita criativa de textos dramáticos, assinalou.
“Há outra componente, que é a pessoa que dá nome ao prémio, o professor José Louro, que foi muito importante para o Algarve”, afirmou, recordando o seu papel na fundação do grupo de teatro universitário da Universidade do Algarve, mas também na “génese da própria ACTA”.
Gil Silva lembrou que José Luís Louro (Coimbra, 1933 – Faro, 2018) “é contemporâneo” do músico José Afonso e que ambos chegaram ao Algarve nos finais da década de 1950 como professores, mas salientou que o primeiro sempre “teve uma componente muito teatral” e “uma vontade de potenciar e fazer teatro”.
José Louro teve “passagens quer pelo Teatro Lethes, enquanto programador, quer pelo Teatro das Figuras, enquanto administrador, mas com o pelouro da direção artística”, e “sempre foi um humanista” interessado na arte teatral, que desempenhou um papel “muito importante no panorama cultural da cidade [de Faro] e da própria região” do Algarve, considerou.
“Então nós achámos que é uma justa homenagem que se pode fazer a esta pessoa tão importante para nós e a cidade de Faro”, justificou, esclarecendo que na cerimónia realizada esta quinta-feira, no Teatro Lethes, foi feita a apresentação do prémio, assim como uma reflexão sobre José Louro e o seu percurso na cena cultural farense e algarvia.
Gil Silva informou que os interessados em candidatar-se a esta primeira edição do prémio Novas Dramaturgias José Louro podem fazê-lo entre sexta-feira e 31 de maio, através do preenchimento de um formulário ‘online’, disponível nas páginas de internet dos promotores da iniciativa.
O júri é composto por sete pessoas, “todas ligadas ao teatro”, que terão “dois meses para ler os textos e para se pronunciarem”, indicou.
Questionado sobre quando será conhecido o primeiro vencedor, Gil Silva respondeu que ainda não há uma data definida, mas expressou a vontade da organização de, “no dia da cidade [de Faro, em 07 de setembro], numa cerimónia pública, apresentar o vencedor”.
Gil Silva disse que, assim, seria possível “estrear a peça em fevereiro do próximo ano”.
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