Uma fortaleza construída há mais de três séculos junto à costa de Lagos conserva ainda hoje uma característica que remete diretamente para a arquitetura militar da época: uma ponte levadiça sobre o fosso que envolve o edifício. A estrutura foi erguida entre 1680 e 1690 para proteger o acesso marítimo à cidade.
No portal da Junta de Freguesia de São Gonçalo, o forte, também conhecido como Forte de Nossa Senhora da Penha de França, Forte do Pau da Bandeira ou Forte do Registo, defendia o acesso ao cais e os flancos sudeste e nascente das antigas muralhas.
Canhões protegiam a aproximação à cidade
A localização não foi escolhida ao acaso. A fortificação permitia cruzar fogo com o baluarte da Porta da Vila e com o baluarte do Castelo dos Governadores, criando uma defesa articulada para esta zona da antiga praça militar de Lagos.
Na época da construção, o forte era considerado uma das fortificações tecnicamente mais avançadas do Algarve. A sua conceção teve em conta uma realidade militar em transformação, na qual a artilharia assumia um papel cada vez mais importante na defesa das cidades costeiras.
Paredes voltadas para o mar são particularmente grossas
A estrutura apresenta uma planta quadrangular e volumes relativamente baixos. Já as paredes situadas nas secções voltadas para o mar foram construídas com uma espessura considerável, característica associada à necessidade de resistir ao impacto da artilharia.
Estas opções arquitetónicas mostram uma fortaleza pensada para a chamada guerra de artilharia. Em vez de apostar apenas na altura, o edifício recorria a estruturas robustas e a uma disposição que permitia proteger uma das zonas mais vulneráveis da cidade.
Para entrar ainda é preciso atravessar o fosso
Um dos elementos mais particulares do conjunto continua a ser o fosso que circunda a fortificação. Para o ultrapassar existe uma ponte levadiça, solução defensiva que permitia controlar o acesso ao interior em caso de ameaça.
Nem todos os elementos hoje visíveis, contudo, remontam ao século XVII. As guaritas cilíndricas existentes no forte foram introduzidas durante campanhas de restauro realizadas por volta de 1960, segundo a mesma fonte.
Interior guarda uma capela do século XVII
Quem atravessa a ponte encontra no interior outro vestígio da época de construção. O forte conserva uma pequena capela seiscentista, cujo espaço se encontra revestido por azulejos, juntando uma componente religiosa à função essencialmente militar do edifício.
A fortificação atravessou os séculos num estado de conservação que a fonte destaca como particularmente relevante. É apresentada como um dos melhores exemplares do século XVII que permanecem no Algarve e como uma das estruturas mais representativas das antigas defesas marítimas de Lagos.
Nos dias de hoje, o edifício já não protege o cais contra ataques vindos do mar, mas continua ligado à história da cidade. No seu interior funciona atualmente um polo museológico dedicado a evocar a época dos Descobrimentos.
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