O clima ameno, um ritmo de vida mais tranquilo e a qualidade dos produtos convenceram Sky Visser a estabelecer-se em Faro, depois de os pais já terem escolhido o Algarve para viver quando se reformaram. Nascido e criado em Curaçau, nas Caraíbas, o chefe acabou por abrir na capital algarvia um restaurante onde cruza influências asiáticas e sul-americanas.
De acordo com a agência de notícias Lusa, Sky chegou à região também por influência dos pais e depressa se identificou com o que encontrou. Atualmente com 27 anos, procurava um lugar onde os invernos não fossem demasiado frios e onde pudesse ter uma rotina mais calma, características que reconheceu em Faro.
“Faro tem muito potencial”
“Precisava de um sítio não muito frio, com um estilo de vida mais calmo”, explicou à agência noticiosa. Para o chefe, Faro distingue-se também por ter entrado mais tarde no crescimento turístico vivido noutras zonas algarvias: “Faro tem muito potencial, é quase uma cidade esquecida”.
Sky considera que esse atraso acabou por beneficiar a cidade. O “boom” turístico chegou mais tarde do que a destinos algarvios já muito consolidados e deixou espaço para o aparecimento de novos conceitos de restauração, numa altura em que o perfil de quem visita e vive em Faro também começou a mudar.
Restaurante abriu em 2022
Foi nesse contexto que nasceu, em 2022, o Céu. O restaurante junta gastronomia asiática e da América do Sul e reflete os sabores com que o chefe cresceu. O percurso familiar ajuda a explicar essa combinação, já que o pai é holandês, a mãe indonésia e a infância foi passada em Curaçau.
A matéria-prima disponível no Algarve tornou-se outro dos fatores que pesaram na decisão de ficar. Segundo a mesma fonte, a qualidade dos produtos locais tem atraído vários cozinheiros estrangeiros, que encontram na região a possibilidade de combinar ingredientes algarvios com referências gastronómicas trazidas de outros países.
Número de restaurantes aumentou numa década
A transformação também aparece nos números. Dados do Instituto Nacional de Estatística fornecidos à Lusa mostram que Faro tinha 141 restaurantes tradicionais com serviço de mesa em 2014. Uma década depois, em 2024, esse número tinha subido para 221.
Há cerca de 10 anos, a oferta internacional na cidade estava mais concentrada em pizzarias e restaurantes chineses. Desde então, começaram a surgir espaços com propostas diferentes, incluindo restaurantes mais sofisticados, menus sazonais e projetos de chefes vindos de outros países.
Outros estrangeiros também escolheram Faro
Um dos exemplos é Sean Marsh, norte-americano que se mudou para a Europa em 2011 e acabou por escolher Faro para abrir o ATO, em 2022, depois de transformar uma antiga marisqueira num bistro. Aos 40 anos, explicou que preferiu apostar num mercado menor em vez de enfrentar custos mais elevados numa cidade como Lisboa.
Josefina Cardeza seguiu outro percurso. A empresária argentina chegou a Portugal em 2004, teve dois restaurantes em Lisboa e, no final de 2019, abriu o Los Locos em Faro. Apesar das dificuldades iniciais provocadas também pela pandemia, considera que a cidade começou depois a receber mais turistas e a assistir ao aparecimento de novos restaurantes.
Cidade demorou mais tempo a afirmar-se como destino
Apesar de ser a cidade mais populosa do distrito, Faro viveu durante muito tempo à margem do turismo que chegava através do seu próprio aeroporto. Muitos visitantes aterravam na capital algarvia e seguiam diretamente para outras zonas, sendo que o primeiro hostel da cidade só abriu em 2011 e o primeiro hotel de cinco estrelas surgiu em 2021.
O cenário continua a mudar. Em 2026, o Alameda, liderado pelo chefe Rui Sequeira, tornou-se o primeiro restaurante de Faro a receber uma estrela no Guia Michelin Portugal. Para Sky Visser, que chegou ao Algarve influenciado pela decisão dos pais e encontrou em Faro espaço para criar o seu próprio projeto, esta transformação confirma precisamente o potencial que viu numa cidade que descreve como “quase esquecida”.















