A conferência de apresentação do Sistema Integrado de Prevenção e Reação a Sismos (SIPRS), promovida por iniciativa do urbanista António Nóbrega, foi adiada para 27 de novembro, mantendo-se no Hotel Alísios, em Albufeira. Inicialmente prevista para 23 e 24 de outubro, a iniciativa decorrerá agora entre as 09:00 e as 17:00, com um programa mais abrangente e uma maior participação prevista de especialistas e entidades ligadas à prevenção e resposta ao risco sísmico.
A alteração da data resulta, de acordo com a organização, do alargamento dos conteúdos e da necessidade de aprofundar diferentes componentes técnicas do projeto, que pretende desenvolver um modelo integrado de preparação, alerta, resposta imediata e recuperação perante a ocorrência de sismos.
A conferência terá como principal objetivo apresentar as diferentes vertentes do SIPRS e recolher contributos de entidades com experiência nas áreas da proteção civil, engenharia, geologia, saúde, comunicações, seguros e gestão territorial.
Algarve em destaque na prevenção do risco sísmico
A iniciativa parte da preocupação com a exposição de Portugal ao risco sísmico, com particular atenção ao Algarve, região que António Nóbrega identifica como especialmente vulnerável a este tipo de fenómenos naturais.
O SIPRS propõe uma abordagem que ultrapassa a resposta de emergência, procurando integrar medidas de prevenção, preparação das populações, proteção dos edifícios e infraestruturas, assistência às vítimas e recuperação das áreas afetadas.
Entre as componentes consideradas fundamentais encontram-se a análise geológica e a caracterização dos solos, permitindo avaliar o comportamento dos diferentes terrenos perante a propagação das ondas sísmicas.
O modelo prevê igualmente a articulação entre entidades públicas e privadas, municípios, hospitais, escolas, serviços de emergência e operadores de infraestruturas críticas, através de mecanismos de coordenação e comunicação.
Inteligência artificial, cabos submarinos e drones integram proposta
Uma das vertentes do projeto passa pela utilização de tecnologias destinadas a melhorar a deteção de fenómenos sísmicos e a capacidade de resposta das autoridades.
Entre as soluções propostas encontram-se redes globais de deteção sísmica, algoritmos de inteligência artificial e cabos submarinos inteligentes, capazes de identificar vibrações em tempo real.
O SIPRS contempla ainda a análise científica do comportamento animal enquanto possível indicador de alterações associadas à atividade sísmica.
Na área das comunicações, o sistema propõe a criação de mecanismos redundantes, destinados a assegurar a ligação entre entidades e populações mesmo em situações de falha das redes convencionais.
Após a ocorrência de um sismo, o projeto prevê a utilização de drones especializados para avaliar danos, apoiar operações de busca e salvamento, transportar medicamentos e realizar o reconhecimento aéreo das zonas afetadas.
A preparação dos serviços hospitalares e de socorro constitui outra das prioridades, através da definição de mecanismos de comando e coordenação que permitam uma resposta rápida e articulada.
Conferência pretende reunir especialistas de diferentes setores
A organização prevê convidar representantes de várias instituições e organismos nacionais, com o objetivo de recolher contributos técnicos para o desenvolvimento do SIPRS.
Entre as entidades a convidar encontram-se a Ordem dos Geólogos, a Ordem dos Engenheiros, a Confederação dos Industriais da Construção Civil, a Ordem dos Médicos, a Cruz Vermelha Portuguesa, os Médicos Sem Fronteiras e a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH).
A lista inclui ainda a Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM), o Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), a Direção-Geral do Território, especialistas nacionais em inteligência artificial aplicada ao território, municípios localizados em zonas de maior sensibilidade sísmica e a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF).
O setor segurador assume também particular relevância na proposta, tendo em conta o seu possível contributo para a prevenção de danos, o reforço da resistência sísmica dos edifícios e a recuperação de infraestruturas após uma catástrofe.
Projeto procura transformar prevenção sísmica numa política permanente
António Nóbrega apresenta o SIPRS como uma proposta de articulação das diferentes dimensões da segurança sísmica, procurando criar um modelo técnico estruturado que possa ser utilizado por municípios, instituições públicas e privadas e serviços essenciais.
A iniciativa pretende ainda valorizar a preparação das populações, através da divulgação de informação acessível, da realização regular de simulacros e da criação de sistemas de comunicação capazes de funcionar em cenários de emergência.
De acordo com o promotor, o objetivo é transformar a prevenção e a resposta aos sismos numa política estruturada e contínua, em vez de as limitar à elaboração de documentos e planos sem aplicação prática.
A conferência não tem fins lucrativos e procura reunir contributos de profissionais e instituições com experiência no terreno, identificando oportunidades para melhorar os mecanismos de prevenção, resposta e recuperação.
O encontro conta, como parceiros de comunicação, com o Postal do Algarve e o DiariOnline Região Sul.
A apresentação do Sistema Integrado de Prevenção e Reação a Sismos realiza-se a 27 de novembro, entre as 09:00 e as 17:00, no Hotel Alísios, em Albufeira, procurando estabelecer as bases para uma maior articulação entre os diferentes setores envolvidos na proteção das populações perante o risco sísmico.















