Com a piscina coberta encerrada desde agosto de 2025 e a descoberta sem funcionar há vários anos, o presidente da Câmara Municipal de Faro, António Pina (PS), considera que a melhor solução para recuperar as piscinas municipais poderá passar pela concessão do complexo a uma entidade privada, que assumiria o investimento necessário à sua reabilitação.
A recuperação do equipamento desportivo representa um investimento estimado entre oito milhões de euros, caso os trabalhos incidam apenas sobre a piscina coberta, e quase 15 milhões de euros, se a intervenção abranger também a piscina descoberta. Os valores foram avançados pelo autarca durante uma entrevista coletiva, que contou com a presença da agência Lusa, dedicada ao primeiro ano de mandato.
Perante os elevados custos da intervenção, António Pina admitiu entregar a reabilitação e a gestão do complexo a um operador privado, mediante um contrato de concessão que assegure a continuidade do serviço público. Questionado sobre se esta seria a solução mais adequada, o presidente da autarquia respondeu afirmativamente, revelando que já existem interessados em assumir a exploração do equipamento.
“Surgiram interessados em ter a gestão das piscinas, fazendo o investimento. Se nós conseguimos encontrar um modelo em que um privado fica com a concessão um ‘x’ número de anos, mas em que o serviço público esteja garantido, não vemos por que não concessionar. E a entidade privada assume o risco de rentabilizar esse seu investimento”, explicou António Pina.
A manutenção do serviço público seria uma das condições essenciais para avançar com a concessão, incluindo a preservação dos preços cobrados aos utilizadores, admitindo apenas atualizações decorrentes da inflação.
O modelo teria também de garantir a disponibilização de quatro pistas aos clubes locais, de forma a permitir a continuidade das respetivas atividades desportivas.
Autarca prefere reservar investimento municipal para escolas e outros equipamentos
Embora reconheça que a Câmara de Faro teria capacidade financeira para suportar a reabilitação das piscinas, António Pina considera que a dimensão do investimento poderia comprometer a concretização de outros projetos municipais.
“A Câmara teria capacidade [para assumir o investimento], mas 15 milhões de euros significa não fazer outras coisas. Seria um ‘win-win’ [todos ganham]: não gastamos dinheiro, mantemos o serviço público e podemos investir noutras áreas, nomeadamente em mais escolas ou áreas desportivas”, reforçou.
O complexo municipal enfrenta problemas de degradação, após mais de três décadas de funcionamento.
A piscina descoberta encontra-se encerrada há vários anos, enquanto a piscina coberta deixou de funcionar em agosto de 2025, devido a problemas técnicos relacionados com a qualidade do ar e da água, agravados pelo estado de conservação das instalações.
Na altura do encerramento, o anterior executivo municipal, liderado por Rogério Bacalhau e composto pela coligação PSD/CDS-PP/IL/MPT/PPM, estimava que uma intervenção estrutural obrigaria a manter o equipamento fechado durante, pelo menos, 18 meses.
A suspensão da atividade da piscina coberta teve consequências para a formação desportiva no concelho, obrigando dois clubes a transferirem os treinos de natação para piscinas municipais de concelhos vizinhos.
Para assegurar a continuidade destas atividades, a Câmara Municipal de Faro disponibilizou apoio financeiro às coletividades afetadas.
Complexo da Penha prevê novos equipamentos desportivos e terminal rodoviário
As piscinas municipais estão integradas no complexo desportivo da Penha, uma área da cidade que reúne outros equipamentos destinados à prática desportiva.
O espaço inclui um campo de futebol, um pavilhão municipal, uma pista de atletismo e uma pista de skate.
Para esta zona está também prevista a construção de um novo campo municipal de futebol de sete, com um investimento estimado em cerca de um milhão de euros.
O município prevê igualmente a instalação de campos de padel, cuja construção e exploração ficarão a cargo de uma entidade privada.
Além dos projetos desportivos, está planeada a construção de um novo terminal rodoviário intermunicipal, da responsabilidade da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL).
A futura infraestrutura pretende retirar da baixa de Faro os autocarros que asseguram os serviços de transporte regional e de longo curso.
Para a mesma zona está ainda prevista a instalação de uma superfície comercial.
A eventual concessão das piscinas municipais integra, assim, as soluções em análise pela autarquia para recuperar um equipamento encerrado e, simultaneamente, preservar recursos financeiros para outros investimentos no concelho.
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